Carlos Mamani/AFP
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Presidente denuncia tentativa de golpe no Peru e pede ativação de Carta da OEA

Empresária investigada por corrupção teria citado o presidente em atividades criminosas; Castillo diz que declarações não têm 'consistência com a verdade'

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2022 | 22h10

O presidente peruano, Pedro Castillo, denunciou neste sábado, 26, uma tentativa de golpe de Estado e pediu a ativação da Carta Democrática da Organização dos Estados Americanos (OEA) para dar tranquilidade ao país, após denúncias de uma empresária que o envolveriam em atos de corrupção.

"Chamo a comunidade internacional e o povo peruano a ativar a Carta Democrática Interamericana e permanecer atentos contra qualquer tentativa de desestabilização e golpe no país", publicou Castillo em sua conta no Twitter.

"Circula na imprensa monopolista uma série de especulações que tem o objetivo de atentar contra a democracia. Os mesmos que conspiraram contra os presidentes anteriores agora querem fazê-lo contra o governo do povo", afirmou. "Denuncio antecipadamente esse tipo de ação que só insiste em manobras políticas antidemocráticas com a finalidade de gerar instabilidade no país", acrescentou.

Segundo a imprensa, a empresária Karelim López, investigada por participação em crimes de corrupção, comprometeu o presidente em declarações ao Ministério Público, citando o mesmo em atividades de uma suposta organização criminosa entrincheirada no governo. Nesse sentido, indicaram que estaria infiltrada no governo, em ministérios e no Congresso.

Segundo o jornal "La República", o objetivo da organização seria obter dinheiro com licitações de obras públicas. O dinheiro arrecadado, segundo Karelim, seria usado para pagar as dívidas que Pedro Castillo teria contraído na campanha eleitoral de 2021, em que derrotou a direitista Keiko Fujimori.

"O mais relevante da declaração é que a mesma afirma que o presidente Castillo faz parte de uma máfia que atua no Ministério dos Transportes e Comunicações direcionando licitações do setor", destacou o jornal "El Comercio", após citar que a empresária prestou seu depoimento no dia 18 de fevereiro, perante a promotora de lavagem de dinheiro Luz Taquire.

Castillo afirmou que a empresária "prestou ao Ministério Público declarações sem base jurídica ou consistência com a verdade, que ameaçam a ética e a transparência dos procedimentos de toda a investigação".

Vladimir Cerrón, líder do partido governista, Peru Livre, tuitou que "a mídia prepara o terreno para acusar o presidente de liderar uma organização criminosa".

Castillo venceu com 50,12% dos votos o segundo turno das eleições em junho passado, à frente de um pequeno partido marxista-leninista, contra a direitista Keiko Fujimori.

/AFP

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