Presidente deposto afirma que voltará a Honduras nesta semana

Manuel Zelaya pede apoio internacional para voltar e discursa na Assembleia da ONU em Nova York nesta 3ª feira

30 de junho de 2009 | 01h48

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta segunda-feira, 29, que pretende retornar ao seu país na quinta-feira, depois de ter sido forçado a se exilar por um golpe militar no último domingo. Zelaya é esperado nesta terça-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, onde falará sobre os acontecimentos e a crise em seu país. A informação foi divulgada na imprensa por Enrique Yevez, porta-voz do presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, que convidou Zelaya nesta segunda-feira para discutir sobre o golpe de Estado.

 

Veja também:

linkGolpes de Estado são cada vez mais raros, mostra pesquisa 

linkChávez fortalece opositores do bolivarianismo

linkHonduras ignora pressão e interino assume lugar do presidente deposto

linkZelaya continua sendo presidente, diz Obama

linkPolícia hondurenha reprime protestos contra golpe

linkNo Twitter, simpáticos a Zelaya convocam ato no Brasil

linkAmorim ordena que embaixador brasileiro não volte a Honduras

linkNa Nicarágua, Zelaya conta como foi destituído

especialEntenda a origem da crise política em Honduras

som Podcast: Professor da Unesp analisa Golpe de Estado em Honduras

linkPerfil: Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda

lista Ficha técnica: Honduras, um país pobre e dependente dos EUA

Em um discurso durante um encontro de líderes do SICA (Sistema para a Integração Centro-Americana), em Manágua, na Nicarágua, Zelaya anunciou que irá retornar ao seu país após fazer uma visita aos Estados Unidos. Ele ainda pediu que representantes da OEA e chefes de Estado o acompanhem na volta a Honduras para demonstrar seu apoio. "Vou cumprir meu mandato de quatro anos, estejam vocês (a oposição hondurenha) de acordo ou não", afirmou Zelaya.

"Voltarei por vontade própria, com a proteção de Cristo e do povo. Voltarei ao meu país e pedirei que a OEA me acompanhe. Aceito ofertas daqueles que queiram me acompanhar, por convite do chefe de Estado, e não por interferência em assuntos (internos)", disse Zelaya, segundo o canal de TV Telesur.

Em seu discurso, Zelaya afirmou ainda ter recebido uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria expressado seu apoio ao presidente deposto. Na manhã desta segunda-feira, Lula já havia afirmado que o Brasil "não reconhece" o novo governo de Honduras e o Itamaraty suspendeu a volta do embaixador brasileiro ao país.

 

Zelaya foi detido em Honduras no último domingo, data marcada para um plebiscito sobre a ideia de uma consulta sobre a possibilidade de uma reforma constitucional. Ele foi obrigado a deixar o país. Depois do golpe, o então presidente do Congresso, Roberto Micheletti, assumiu o cargo interinamente.

"Terrível precedente"

Também nesta segunda-feira, presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou o golpe de Estado em Honduras e disse que a deposição do presidente Manuel Zelaya é ilegal. As declarações de Obama foram feitas em Washington após uma reunião com presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Segundo Obama, caso Zelaya não volte à Presidência de Honduras, o golpe estabeleceria um "terrível precedente". O presidente americano afirmou ainda que trabalhará com a Organização dos Estados Americanos (OEA) para restituir o presidente.

 

Na discussão na ONU, participaram representantes de diversos países latino-americanos, entre eles, o Brasil, que falou também em nome do México e do Chile, além de Argentina, Equador, Bolívia, Peru, Colômbia, Uruguai, Cuba e Nicarágua. Todos recriminaram o retorno a "um pesadelo que parecia ter sido concluído para sempre" e expressaram indignação pelo golpe em Honduras. A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, exigiu que o presidente seja restituído o mais rápido possível a suas funções constitucionais, posição compartilhada pela Organização de Estados Americanos (OEA).

Protestos

Em mais um desdobramento da crise em Honduras, homens das Forças Armadas e da polícia utilizaram balas de borracha para dispersar, nesta segunda-feira, centenas de manifestantes que protestavam pela volta de Zelaya em frente ao palácio presidencial, na capital Tegucigalpa.

Em entrevista à BBC, Kellyn Sierra, da Cruz Vermelha, afirmou que foram atendidos cerca de 50 feridos por balas de borracha durante o protesto. Kellyn, no entanto, não pôde confirmar se houve mortes durante a repressão à manifestação.

Os simpatizantes de Zelaya carregavam paus e correntes e teriam feito barricadas em ruas próximas ao palácio. Vitrines de lojas também teriam sido quebradas. A repressão à manifestação teria começado após a polícia ter dado início a uma operação para reforçar a segurança nos arredores do palácio. Cerca de 2 mil pessoas estariam participando dos protestos.

 

Os hondurenhos têm poucas informações sobre os protestos em outras regiões. As poucas notícias circulam no boca a boca. Os meios de comunicação transmitem apenas a versão oficial e os canais de notícias internacionais, como a CNN e a Telesur, estão fora do ar.

 

Texto atualizado às 8h40.

Tudo o que sabemos sobre:
HondurasEUABrasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.