Presidente do Equador deve eleger maioria para Constituinte

Eleições correm com tranqüilidade neste domingo; políticos devem redigir nova Constituição do país

Associated Press e Agência Estado,

30 de setembro de 2007 | 19h23

Segundo fontes do governo equatoriano, o partido do presidente do país, Rafael Correa, conseguiu eleger a maioria dos 130 integrantes da Assembléia Constituinte responsável pela elaboração da nova Constituição do Equador. A eleição foi encerrada às 17h locais (19 horas em Brasília) e segundo o Superior Tribunal Eleitoral, os resultados oficiais serão conhecidos somente daqui a 20 ou 30 dias. O pleito começou em clima de tranqüilidade depois de um discurso no qual Correa assegurou que o processo eleitoral é "o mais justo e democrático das últimas décadas" e que gerará mudanças profundas no país sul-americano. Numa cerimônia para declarar aberto o processo eleitoral, Correa comentou que a elaboração de uma nova Constituição para o país "provocará mudanças profundas na pátria para o bem de todas e de todos". "Sentimos no ar a espada de (Simón) Bolívar marchando por toda a América Latina. Avancemos a uma pátria livre e soberana, a um Equador de justiça e democracia, a uma pátria para todas e para todos, rumo à vitória sempre", declarou. Durante sua campanha à presidência equatoriana, Correa prometeu viabilizar uma Assembléia Constituinte para superar quase uma década de instabilidade política e pôr fim ao que chamou de "estruturas caducas" do Estado que mantinham o país "oculto numa longa noite neoliberal". Antes do fechamento das urnas, o vice-presidente equatoriano, Lenín Moreno, antecipou que o partido governista, Aliança País, ganhará a maioria das cadeiras da Assembléia Constituinte convocada pelo presidente Rafael Correa para "refundar o país". "É um triunfo da cidadania que confia em um governo que cumpre com a sua palavra", afirmou Moreno. Mais de 9 milhões de eleitores estavam convocados para a votação que escolheria os responsáveis pela redação da nova Carta Magna do Equador - a 20ª da história do país. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo instituto Cedatos-Gallup, o partido do presidente deveria conseguir entre 56 e 72 das 130 cadeiras da Constituinte. A Constituinte será instalada em 31 de outubro e funcionará durante 180 dias, podendo ser prorrogada em até dois meses. A ONG Participação Cidadã - um dos observadores do processo eleitoral - afirmou que muitos eleitores enfrentaram atrasos e desorganização nos locais de votação. Segundo o TSE a eleição foi suspensa em Cabo San Francisco, na Província de Esmeraldas, noroeste do país, quando alguns eleitores descontentes com o governo local colocaram fogo em quatro urnas, queimando cerca de 300 cédulas eleitorais. O líder da oposição de direita, Álvaro Noboa, se mostrou disposto a trabalhar em conjunto com o partido de Correa, desde que o governo aceite seu "projeto liberal". O vice-presidente Moreno também se mostrou aberto a um "período de consenso" entre governo e oposição. Há nove meses no cargo, o presidente equatoriano afirmou que colocará seu cargo à disposição da Constituinte e, ao mesmo tempo, pedirá a dissolução do Congresso unicameral, o qual ele qualifica de "corrupto e incompetente". O partido de Correa não tem nenhum deputado no Congresso em razão do boicote à eleição legislativa do ano passado. As forças de oposição ao presidente acusam Correa de buscar um projeto de caráter marxista como defende seu colega venezuelano Hugo Chávez. No entanto, na semana passada, o presidente equatoriano disse que, diferentemente de Chávez, ele não pressionará a Constituinte para derrubar a proibição à reeleição. Correa disse também que não tem interesse nenhum em promover reformas para perpetuar-se no poder.

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