Presidente do Equador lamenta ataque

Rafael Correa pediu um encontro com seu embaixador em Bogotá

EFE

02 de março de 2008 | 01h41

O presidente do Equador, Rafael Correa, lamentou neste sábado "a agressão" contra o Equador por parte da Colômbia na operação militar na qual foi morto o porta-voz internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, e chamou a Quito seu embaixador em Bogotá. Em entrevista coletiva na Base Aérea Mariscal Sucre de Quito, Correa disse acreditar que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, mentiu para ele quando informou sobre a operação, e considerou que essa é a "pior agressão já sofrida pelo Equador por parte da Colômbia", cujos militares entraram em território equatoriano. Correa lembrou que sábado de manhã, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, lhe telefonou para comunicá-lo sobre a operação e a morte de Reyes, e que essa ação tinha acontecido após troca de fogo com as Farc, que tinham adentrado em território equatoriano ao fugir dos combates. "Isto já é grave", mas seria "compreensível" se acontecesse por causa de uma "perseguição imediata", ou seja, pelo cruzamento de fogo de lado e lado, disse Correa. No entanto, disse que os relatórios dos quais dispõe agora, entregues por patrulhas militares que foram ao local onde teriam acontecido os combates, adverte que o lugar fica, pelo menos, dois quilômetros dentro do território equatoriano e que se tratou de um "massacre". "Para surpresa do Governo equatoriano (as tropas equatorianas) encontraram 15 corpos de guerrilheiros e duas guerrilheiras feridas em um acampamento improvisado" e que os mortos "estavam com roupa íntima; ou seja, que não houve nenhuma perseguição imediata", acrescentou Correa. "Foram bombardeados e massacrados enquanto dormiam, utilizando tecnologia de ponta, que os localizou de noite, na selva, seguramente com a colaboração de potências estrangeiras", assegurou o chefe do Estado. Deplorou, além disso, que tropas colombianas tenham entrado em território equatoriano para levar o cadáver de "Reyes" e de Guillermo Enrique Torres, conhecido como Julián Conrado, ideólogo das Farc. "O presidente Uribe, ou estava mal informado ou descaradamente mentiu ao presidente do Equador", ao comunicar que o fato aconteceu em uma "perseguição imediata", reiterou Correa. O Governo equatoriano "não vai permitir mais ultrajes do Governo colombiano e vamos ir até as últimas conseqüências para que se esclareça este fato escandaloso, que é uma agressão a nosso território e a nossa pátria", destacou o chefe de Estado. Insistiu que chamou a Quito o embaixador equatoriano em Bogotá, Francisco Suéscum, e que em breve sua Chancelaria apresentará um "protesto enérgico" pelo que aconteceu. Correa reivindicou "explicações contundentes" a Uribe, para que esclareça se foi enganado por suas próprias tropas ao informar do ataque, ou que reconheça, "perante todo o mundo, que mais uma vez mentiu ao Governo equatoriano e que entrou sem nenhum escrúpulo" no território equatoriano. Uribe comemora morte de "Raúl Reyes", agradecendo militares e o EquadorO presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, agradeceu as Forças Militares pela operação em que foi morto "Raúl Reyes", o porta-voz e segundo no comando das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Felicito os soldados e policiais da Colômbia por esta operação", disse Uribe, lembrando a morte do soldado Carlos Hernández León e agradecendo ao presidente do Equador, país onde Reyes morreu em um bombardeio, sua compreensão. Em um breve pronunciamento feito no município de Rionegro, próximo a Medellín (noroeste), capital do departamento (estado) de Antioquia, Uribe destacou que, como presidente constitucional da nação, assume a responsabilidade total pelos fatos. Também agradeceu ao "presidente (do Equador) Rafael Correa, às Forças Militares e de Polícia e ao povo do país irmão, a compreensão do momento vivido pela Colômbia, na determinação por derrotar o Terrorismo". Reiterou que a Colômbia deu outro passo no processo de recuperar o respeito que merece o país e que deu outro passo na direção de derrotar "o bando do terrorismo sanguinário". Insistiu que o terrorismo há mais de meio século era ideológico e "hoje é mercenário e narcoraficante", ao mesmo tempo lembrando que há gerações de colombianos que não conheceram "um dia completo de paz".

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