Arquivo/Divulgação
Arquivo/Divulgação

Presidente do Haiti minimiza polêmica sobre atuação dos EUA

Para René Prèval, quando objetivo é salvar vidas, considerações ideológicas devem dar espaço à caridade

Efe,

20 de janeiro de 2010 | 11h42

O presidente do Haiti, René Préval, minimizou em entrevista à Rádio França Internacional (RFI) a polêmica sobre a  atuação dos EUA na ajuda humanitária ao país. O líder haitiano disse que não tem nenhum problema ideológico para receber ajuda internacional  e que considerações do gênero devem dar espaço à caridade.

Tragédia no Haiti:

link Policiais atiram em militares por comida 

linkEquipes já resgataram 121 com vida

linkPentágono amplia envio de ajuda

linkNovo tremor de 6,1 atinge o país

"Não temos nenhum problema ideológico para receber a ajuda dos que podem e querem nos ajudar", assegurou. Préval descartou qualquer polêmica pela chegada de militares americanos ao Haiti, país que Washington já invadiu no passado.

"Colaboramos com diversos parceiros. Os americanos estão sob comando das Nações Unidas (Minustah), apresentaram sua ajuda para a reconstrução. É a Minustah com a Polícia ajudada pelos americanos" que está a cargo da segurança, disse.

Quanto à chegada de helicópteros americanos ao jardim do palácio presidencial, Préval afirmou que "se isso servir para salvar vidas, as considerações ideológicas devem dar espaço à caridade".

VEJA TAMBÉM:
video Assista a análises da tragédia
mais imagens As imagens do desastre
blog Blog: Gustavo Chacra, de Porto Príncipe
especialEntenda o terremoto
especialInfográfico: tragédia e destruição
especialCronologia: morte no caminho da ONU
lista Leia tudo que já foi publicado

Préval assinalou que agora, pouco mais de uma semana depois do terremoto, "as coisas começam a entrar em ordem" e as autoridades começam a "controlar a situação desde um ponto de vista psicológico e da capacidade de gestão".

O presidente agradeceu a ajuda internacional enviada e assinalou que o país segue precisando de apoio exterior.

Após primeiros instantes de caos, os haitianos "entenderam a amplitude da catástrofe e com calma e uma solidariedade cada vez mais organizada vamos sair", disse Préval.

"A prioridade é socorrer os que estão sob os escombros, tirar os cadáveres das ruas para evitar uma catástrofe sanitária, levar a abrigos temporários os que ainda estão nas ruas, contribuindo com o necessário para sua alimentação", acrescentou.

Em declarações a "Rádio França Internacional" ("RFI"), o presidente haitiano reconheceu que há problemas de coordenação da distribuição da ajuda internacional "que chega muito rápido" e o país "não está preparado para recebê-la". "Quando (a ajuda) chega, nos dizem: Onde estão os caminhões para transportá-la, e os armazéns?", afirmou Préval.

O presidente indicou que "o importante" nos próximos dias será "coordenar a ajuda para saber em que quantidades, quando e como é preciso ser distribuída".

Sobre a impaciência do povo de seu país e a ansiedade pela reconstrução dos edifícios, o presidente afirmou que "um país não morre, um povo não morre. Vamos nos levantar, os haitianos vão tomar consciência de que não se pode construir em qualquer lugar, que é preciso estabilidade política para construir com continuidade".

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.