Presidente do México anuncia medidas para conter crime organizado

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, anunciou nesta quinta-feira uma série de medidas, como a criação obrigatória de polícias estaduais exclusivas, em uma tentativa de impedir a infiltração do crime organizado que esteve por trás do desaparecimento de 43 estudantes no sul do país.

ANAHI RAMA, REUTERS

27 de novembro de 2014 | 21h11

O comando policial único para cada um dos 31 Estados, o que eliminaria milhares de policiais municipais que são mais vulneráveis à corrupção do crime organizado, é uma medida antiga promovida pelo governo anterior, mas que não chegou a ser implementada porque não era obrigatória.

Peña Nieto, que passa por um dos piores momentos do seu governo com protestos coletivos pelo desaparecimento e possível massacre dos jovens, disse que apresentará na segunda-feira ao Congresso o seu plano, que incluirá também uma lei contra a infiltração do crime organizado.

"Depois de Iguala, o México deve mudar", disse o mandatário, referindo-se à cidade do Estado de Guerrero, no sul do país, onde os estudantes foram atacados.

O caso dos alunos de uma escola rural de magistério, que teriam sido assassinados e queimados de acordo com a investigação, chocou o país e despertou críticas à estratégia de segurança do governo, que apenas há alguns meses comemorava a aprovação de uma série de reformas econômicas estruturais para estimular a lenta economia.

"O México precisa de soluções corajosas e fortes, esta é uma delas", disse ele em uma mensagem à nação e na presença de governadores de Estado e o chefe de governo do Distrito Federal.

"Essa nova lei vai estabelecer o mecanismo para a federação para assumir o controle dos serviços municipais, ou se um município é dissolvido quando há provas suficientes de que a autoridade local está envolvida com o crime organizado", disse ele.

O plano também incluirá uma iniciativa para redefinir o sistema de jurisdição penal para que cada instância de governo não tenha desculpas na hora de abordar denúncias de crimes, disse o presidente.

O plano foi recebido com cautela por organizações civis que monitoram o estado de segurança no país e dizem que no passado foram anunciados grandes planos que não se concretizaram ou foram infrutíferos.

"Que bom que haja mudança de rumos, mas isso é apenas um passo, não é a vitória nem muito menos, e significa que há muitas coisas que não foram feitas", disse Juan Francisco Torres Landa, secretário-geral da organização México Unido contra o Crime.

"Que triste que isso é feito só quando já temos muitas pessoas e muitos cadáveres em valas", acrescentou.

(Reportagem adicional de Ana Isabel Martínez e Adriana Barrera)

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