Presidente do Peru aceita renúncia de ministros

TV mostrou gravações em que partido governista negociava suborno para aprovação de contratos de energia

AP e Reuters,

10 de outubro de 2008 | 20h18

O presidente do Peru, Alan García, aceitou na noite desta sexta-feira, 10, a renúncia de todo o seu gabinete. Os ministros peruanos colocaram na quinta seus cargos à disposição de García, em reação às denúncias de corrupção. Na noite do domingo, um programa da televisão peruana colocou no ar gravações de áudio nas quais integrantes do partido governista aparentemente negociavam subornos em troca de aprovação de contratos de exploração de petróleo e gás natural.    Veja tambem: Escândalo põe setor petrolífero peruano sob suspeita Ataque da guerrilha Sendero Luminoso mata 14 no Peru Passeata contra García e a corrupção reúne milhares no Peru   "O senhor presidente tomou a decisão de aceitar nossa demissão, do gabinete em conjunto, e recompor conforme a Constituição e a lei um novo Conselho de Ministros", afirmou primeiro-ministro Jorge Del Castilloem entrevista junto com o presidente peruano.   Del Castillo e cerca de 15 ministros do governo García foram na quinta-feira ao Parlamento e tentaram explicar aos congressistas sua versão dos fatos. O Congresso não quis ouvi-los e pediu para voltarem na próxima terça-feira, quando planeja debater uma moção de censura contra o gabinete de governo.   Os parlamentares também planejam investigar os contratos de petróleo e gás natural. "Nós temos que respeitar a separação de poderes. Nós não vamos ao gabinete e pedimos para que eles nos escutem", disse o parlamentar Luis Galarreta, da oposição.   "Nós dissemos Del Castillo que ele é bem-vindo aqui para explicar seu ponto de vista, mas lhe informamos que isso deverá ser feito na terça-feira", acrescentou Galarreta. Vários funcionários graduados do governo peruano renunciaram ou foram demitidos, incluído o ministro das Minas e Energia, Juan Valdivia, à medida que notícias sobre o escândalo crescem na mídia local.   Investigação A Discovery Petroleum, que ganhou a licitação de exploração no Peru, também nega as acusações. Apesar disso, Garcia suspendeu cinco contratos com a companhia na última segunda-feira. O Congresso do Peru aprovou uma investigação sobre as concessões petrolíferas desde 2006 e vai analisar os contratos assinados entre o país e empresas petrolíferas estrangeiras. Nos últimos anos, o setor energético do Peru vem impulsionando a captação de milhões de dólares em investimento estrangeiro para a enorme indústria de mineração do país e para o crescente setor de gás e petróleo. O escândalo poderá abalar ainda mais a confiança da população no governo, cujos níveis de popularidade estão bastante baixos.   Uma pesquisa recente divulgada pelo instituto Ipsos Apoyo indicou que a popularidade de Alan García caiu para 19% em setembro, em comparação com os 63% de aprovação registrados quando ele assumiu o poder, há dois anos.    (Com BBC Brasil)     

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