Presidente do Uruguai faz visita surpresa a Cristina Kirchner

Governantes conversaram sobre conflito bilateral e discutiram intenção uruguaia de comprar gás da Bolívia

05 de abril de 2010 | 20h46

Associated Press e Efe

 

BUENOS AIRES- O presidente do Uruguai, José Mujica, fez nesta segunda-feira, 5, uma visita surpresa a Buenos Aires para se encontrar com sua colega Cristina Kirchner e analisar temas comuns aos dois países, confirmaram dois altos funcionários argentinos.

 

A reunião ocorre poucos dias antes da divulgação de uma decisão da Corte Internacional de Justiça, com sede em Haia, sobre o conflito bilateral devido a instalação de uma fábrica de celulose multinacional no lado uruguaio de um rio limítrofe.

 

Nesse sentido, os governantes conversaram sobre "a necessidade de respeitar o resultado" em Haia, disse a jornalistas o chanceler argentino Jorge Taiana ao sair da residência presidencial de Olivos, onde ocorreu o encontro.

 

A Corte Internacional se pronunciará em 20 de abril sobre a construção da usina da empresa Botnia junto ao rio Uruguai, considerado o maior projeto com investimento estrangeiro no país, mas que conturbou as relações entre os dois vizinhos devido à reclamação argentina de que a fábrica contamina o solo e o ar.

 

Em protesto contra a usina, ambientalistas argentinos mantêm uma ponte que liga os dois países bloqueada há mais de dois anos.

 

Mujica expressou seu desejo de recompor as relações com a Argentina e acabar com a distância imposta na gestão de seu antecessor, Tabaré Vázquez. A visita imprevista à capital argentina parece ir nesse sentido.

 

Os dois líderes também analisaram a intenção do Uruguai de comprar gás da Bolívia, que seria transportado por Mei ode gasodutos que atravessariam o território argentino. Uma reunião de ministros de Energia dos três países foi agendada para discutir o assunto.

 

Segundo Kirchner, eles não conversaram sobre o veto uruguaio a designação do ex-presidente e marido de Cristina, Néstor Kirchner, como secretário geral da União de Nações Sulamericanas (Unasul).

 

Vázquez se objetou à decisão e o ex-governante argentino não pode assumir, porque a designação deve ser conferida com o apoio unânime das 12 nações que compõem a Unasul.

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