Presidente equatoriano pede unidade após vitória do 'sim'

Rafael Correa afirma que os que 'mentiram e tentaram enganar' na campanha 'terão que prestar contas'

Roberto Lameirinhas, enviado especial, com Efe,

28 de setembro de 2008 | 19h58

O presidente do Equador, Rafael Correa, pediu neste domingo, 28, "unidade", após a divulgação dos resultados de pesquisas boca-de-urna do referendo sobre a Constituição, no qual afirmou que foi alcançada uma vitória "arrasadora". Veja também:Equatorianos apóiam nova Constituição, diz boca-de-urnaEspecialista explica situação do paísÁudio da entrevista com o professor Ayerbe Correa diz que Odebrecht aceitou acordo; empresa nega "Venceu a nova Constituição. É um momento histórico que transcende muito as pessoas que estiveram mais visíveis neste processo, que é de todo um povo", disse Correa, afirmando que estará onde "o povo" precisar. Em Guayaquil, sua cidade natal, para onde viajou a fim de esperar os resultados, Correa fez uma chamada de "unidade" ao país e disse que os que "mentiram e tentaram enganar" na campanha "terão que prestar contas". "Hoje, o Equador decidiu um novo país, as velhas estruturas foram derrotadas. Esta é a confirmação dessa revolução cidadã que oferecemos ao povo no ano de 2006", disse Correa em seu discurso, ao se referir ao ano em que ganhou as eleições. Em uma efusiva declaração pública, disse que suas primeiras palavras são de "gratidão a Deus, que sempre acompanha os homens de boa vontade, ao povo, que não se deixou convencer pela desinformação, manipulação e amargura e deu um 'sim' contundente cheio de alegria, emoção e esperança". Entre 66% e 70% dos equatorianos aprovaram o projeto da Carta Magna redigido pela Assembléia Constituinte, segundo pesquisas de boca-de-urna de várias firmas. O Tribunal Supremo Eleitoral ainda não deu os primeiros resultados oficiais, mas afirmou que acredita que apurará ainda hoje 50% dos votos.  O processo de "refundação do Equador", como é denominado por Correa, prossegue agora com a convocação de eleições gerais para todos os cargos eletivos do país - incluindo o de presidente da república -, que será feita por uma entidade legislativa provisória denominada "congressilho". Esse organismo será formado pelos deputados que integraram a Assembléia Constituinte que redigiu a nova Constituição e na qual o movimento político de Correa tem maioria. Para a oposição, o resultado do referendo põe em risco o equilíbrio democrático do Equador, uma vez que Correa - amigo pessoal e simpatizante de seu colega venezuelano, Hugo Chávez - e seu grupo ampliarão sua influência sobre os órgãos do Judiciário, da Justiça Eleitoral, das entidades de controladoria e das agências reguladoras de serviços públicos.  Além do fortalecimento do poder do Executivo, os opositores de Correa temem que a Carta abra o caminho para que o país abandone a dolarização, adotada em 2000, em meio a uma grave crise financeira. O governo, porém, insiste que não tem intenção de fazê-lo, atribuindo o temor "à mesma campanha de desinformação que afirma que a Constituição permitirá o aborto e o casamento de homossexuais". Autoridades da Igreja Católica - de forte influência na sociedade equatoriana -, no entanto, manifestaram preocupação com artigos que reconhecem os mesmos "direitos e obrigações de famílias constituídas por meio de matrimônio" para "a união estável e monogâmica de pessoas que formam um lar de fato".

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