Presidente paraguaio diz que boicote à renúncia é perseguição

O presidente do Paraguai, NicanorDuarte, disse na quinta-feira que considera perseguiçãopolítica a intenção de seus opositores de não aceitar suarenúncia. Eles querem evitar que ele assuma o cargo de senador,em um conflito que ameaça atrapalhar a passagem da faixapresidencial. Duarte planejava renunciar na segunda-feira, quase doismeses antes da data prevista para a mudança de governo e umasemana antes da renovação do Congresso eleito na votação de 20de abril. Ele foi eleito senador, mas não pode assumir o cargo semrenunciar à Presidência, já que a Constituição proíbe o acúmulode duas funções. Os opositores de seu partido planejam deixar a sessãoconjunta das câmaras de Deputados e Senadores sem quórum. Areunião, marcada para terça-feira, abordará a questão. Oobjetivo é evitar que ele possa prestar juramento na cerimôniaprevista para 1o de julho, porque acham que sua candidatura foiilegítima. "Vou apresentar minha renúncia, com a qual mostrarei meupropósito de ocupar o lugar que me corresponde...se não meaceitarem, seria a primeira demonstração de perseguição, deirracionalidade", disse Duarte em uma entrevista à rádioPrimero de Marzo. O presidente é considerado por seus próprioscorreligionários um dos responsáveis pela derrota do partidoColorado, que irá para a oposição depois de 60 anos, devido àvitória da aliança de centro-esquerda liderada pelo ex-bispocatólico Fernando Lugo. Duarte disse que merece deixar o cargo sem complicaçõesporque colaborou com o processo democrático, evitando impugnara candidatura de seu rival político e hoje presidente eleito,reconhecendo de imediato o resultado das eleições e criando umacomissão para garantir que o processo fosse pacífico. "Fiz tudo o que podia...Infelizmente, acredito que nãocompreenderam o desejo que temos de colaborar", disse ele, quepretende reunir-se com Lugo assim que este terminar uma viagempela Bolívia, Equador e Venezuela. Os integrantes da coalizão e do partido de centro-esquerdaPatria Querida sustentam que Duarte não devia ser candidato aoSenado porque a Carta Magna o obriga a dedicar-se somente àssuas funções de chefe de Estado. (Reportagem de Daniela Desantis)

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