Presidente paraguaio vai a São Paulo para avaliar câncer

O presidente paraguaio, Fernando Lugo, embarcou nesta terça-feira para o Brasil, onde será submetido a exames médicos para um linfoma diagnosticado que, segundo os médicos, seria facilmente curado.

REUTERS

10 de agosto de 2010 | 13h28

O vice-presidente Federico Franco, com quem Lugo tem uma relação tensa, garantiu que vai respeitar a institucionalidade e recusou-se a falar sobre sucessão.

Lugo partiu do principal aeroporto paraguaio em um avião enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após receber o apoio de ministros, funcionários e familiares que se despediram dele em uma região de acesso restrito do terminal.

O governante, de 59 anos, teve diagnosticado um linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer linfático que, segundo informações divulgadas na noite de segunda-feira pela equipe médica do presidente, é de baixa malignidade. Lugo será submetido a tratamento de quimioterapia.

Em São Paulo, serão realizados exames especializados no hospital Sírio Libanês para determinar o grau de avanço da doença e estabelecer uma estratégia para o tratamento.

"Estamos mais otimistas após as informações que recebemos ontem (segunda-feira)", declarou a jornalistas o médico Néstor Martínez, referindo-se a um exame realizado nos Estados Unidos em um gânglio retirado de Lugo na semana passada.

A ministra da Saúde, Esperanza Martínez, disse que este tipo de doença tem uma evolução lenta e é "facilmente curável".

O linfoma diagnosticado despertou especulações sobre se Lugo teria força para terminar seu mandato de cinco anos, em agosto de 2013, mas os assessores mais próximos garantem que ele está confiante em aliar o tratamento com suas obrigações de Estado.

"Desde o primeiro momento em que o diagnóstico foi feito e se verificou que era uma doença que poderia ser compatibilizada com suas funções, o presidente não tem feito outra coisa senão olhar para frente", disse à Reuters o ministro das Comunicações, Augusto dos Santos.

O vice-presidente Federico Franco, primeiro na linha de sucessão presidencial e que mantém uma relação tensa com Lugo, tentou pôr fim às especulações afirmando que dará apoio total ao presidente.

"Neste momento é lamentável falar de todas essas coisas", respondeu ao ser questionado sobre a possibilidade de que Lugo deixe o cargo, após uma reunião com o presidente. "O presidente está em bom estado. Tem uma doença tratável e tomara que possamos ter uma recuperação rápida. Agora mais que nunca este vice-presidente vai cumprir as recomendações do presidente", acrescentou Franco, que também é médico.

(Reportagem de Daniela Desantis)

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