Presidente russo passeia com Raúl Castro em Havana

Após duas décadas da queda do regime socialista, Rússia volta a Cuba; líderes assinam cooperação

Associated Press e Reuters,

28 de novembro de 2008 | 11h30

O presidente de Cuba, Raúl Castro, e o líder russo, Dmitry Medvedev, se reuniram na quinta-feira, 27, na etapa final da viagem do governante do Kremlin à América Latina, e realizaram várias atividades protocolares juntos. Medvedev e Raúl Castro colocaram coroas de flores na Praça da Revolução, em Havana, e depois foram à recém-inaugurada catedral cristã ortodoxa na capital cubana. Entre essas atividades, os dois tiveram conversas oficiais e assinaram alguns convênios. Medvedev deverá voltar nesta sexta-feira, 28, a Moscou.   A imprensa não teve acesso à reunião, mas o noticiário da televisão estatal cubana disse que foi avaliada a evolução das relações políticas entre Cuba e a Rússia, com o interesse de "aumentar os vínculos, principalmente econômicos". Na quinta-feira, Medvedev foi recebido no aeroporto de Havana pelo vice-presidente do Conselho de Ministros, Ricardo Cabrisas, e pelo chanceler Felipe Pérez Roque. Uma agenda preliminar entregue na quinta indicava que o presidente russo estendeu suas atividades em Cuba até esta sexta-feira, mas não informou o horário de partida.   Aliados estratégicos e ideológicos entre as décadas de 1960 e 1980, Moscou e Havana se afastaram após 1991, quando a União Soviética foi extinta e o comunismo entrou em colapso. Uma cooperação de milhões de dólares então deixou de existir. Agora, as relações bilaterais entre Cuba e Rússia parecem ressurgir, em um ano cheio de visitas de funcionários, assinatura de convênios e anúncios de interesse comum para explorar petróleo e extrair níquel em território cubano. O intercâmbio comercial entre Cuba e Rússia se situa em US$ 360 milhões por ano.   A comitiva de Medvedev, que inclui funcionários dos setores de energia e indústria aeroespacial, chegou da Venezuela, onde foi anunciado que o governo venezuelano comprará dois aviões comerciais russos, que abrirão um rota entre Caracas e Moscou. Nos últimos quatro anos, o governo do presidente venezuelano. Hugo Chávez comprou 100 mil fuzis Kalashnikov AK 103, 53 helicópteros militares e 24 aviões Sukhoi da Rússia, gastando US$ 4,4 bilhões. Medvedev visitou Peru, Brasil e Venezuela antes de ir a Cuba.   EUA   A visita a Havana tem forte simbolismo e deve irritar a Casa Branca, num momento em que as relações bilaterais já estão afetadas pelos planos norte-americanos de instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu - o que Moscou considera como uma ameaça à sua soberania - e pela guerra de agosto entre a Rússia e a Geórgia, aliada do Ocidente.   Medvedev chegou a Havana depois de se reunir em Caracas com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e com outros dirigentes da região. Navios russos estão no Caribe realizando exercícios navais em conjunto com a Venezuela, e os dois líderes discutiram novos contratos para o fornecimento de armas ao país sul-americano.   Sem a marca ideológica do passado, são os aspectos comerciais que mais interessam aos dois países. Medvedev é o primeiro líder russo a visitar Havana desde que seu antecessor Vladimir Putin desativou a base russa de inteligência de Lourdes, em 2001. Na atual conjuntura, segundo analistas, o regime comunista cubano deve adotar uma atitude pragmática nas suas relações com Moscou, já que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu reverter algumas sanções impostas à ilha.   "Mesmo com as diferenças da Rússia com os Estados Unidos, não há interesse em piorar as relações", disse Vadim Teperman, do Instituto Latino-Americano da Academia de Ciências Russas. "Cuba está esperando algumas mudanças positivas de Obama, prometidas durante sua campanha." Recentemente, Cuba recebeu a visita o presidente chinês, Hu Jintao, que ofereceu prazos mais generosos no pagamento de dívidas e firmou acordos de cooperação bilateral.   O presidente de Cuba, Raúl Castro, deve visitar a Rússia no ano que vem, e Moscou sugere que Washington suspenda o embargo econômico que mantém contra a ilha desde 1962. Moscou foi o principal patrocinador da economia cubana durante a Guerra Fria, e o colapso da União Soviética, em 1991, abateu a economia da ilha. O distanciamento se agravou depois que Putin fechou a base de Lourdes, meses depois de fazer uma visita ao país. A decisão privou Cuba de uma importante fonte de renda.

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