Presidente russo se encontra com Fidel Castro em Cuba

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, se reuniu com o ex-líder cubano Fidel Castro na sexta- feira, marcando a tentativa de Moscou de reconstruir seus laços com a antiga aliada da Guerra Fria numa viagem para reforçar sua influência política e econômica na América Latina. A reunião aconteceu no final da viagem de Medvedev pela América Latina, que vem sendo vista como tentativa da Rússia de desafiar Washington em seu tradicional quintal, além de reforçar o comércio de Moscou com a região. "Está sendo uma grande visita, uma visita magnífica, e agora ele vai ver Fidel", disse a jornalistas o presidente cubano Raúl Castro, irmão de Fidel, depois de Medvedev ter depositado flores num monumento à era soviética. Medvedev chegou a Cuba vindo da Venezuela, onde ele e o líder antiamericano Hugo Chávez supervisionaram exercícios navais conjuntos, num momento em que aumentam as tensões entre Moscou e Washington em torno dos planos dos EUA de erguer um escudo antimísseis na Europa e da rápida guerra da Rússia com a Geórgia. Moscou foi a principal patrocinadora de Havana durante a Guerra Fria, mas a queda da União Soviética, em 1991, teve efeito arrasador sobre a economia cubana. Os laços entre os dois países azedaram ainda mais quando, em 2001, o então presidente Vladimir Putin fechou a base de inteligência russa de Lourdes, em Cuba. Fidel Castro, 82 anos, governou Cuba por 49 anos até Raul assumir a presidência, em fevereiro deste ano, e não é visto em público desde que sofreu uma cirurgia, em 2006. Mas ele escreve colunas regulares em jornais e se reúne com líderes estrangeiros. Não foram disponibilizadas imediatamente fotos ou imagens de TV de seu encontro com Medvedev, mas, segundo o Kremlin, os dois conversaram por mais de uma hora. Autoridades dos EUA dizem que vêm monitorando os passos de Moscou na América Latina, mas não os consideram ameaçadores. Raúl Castro pode visitar Moscou em 2009, e Moscou exortou Washington a acabar com o embargo econômico que impôs à ilha caribenha em 1962, três anos depois de Fidel chegar ao poder numa revolução armada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.