Presidentes latino-americanos ''descobrem'' a mídia, diz jornal alemão

Berliner Zeitung diz que governantes tentam criar "alternativa" à mídia tradicional.

BBC Brasil, BBC

14 de agosto de 2007 | 05h37

Em um artigo intitulado "Os governos da América Latina descobrem a mídia", o jornal alemão Berliner Zeitung diz na sua edição desta terça-feira ser "compreensível" que governos da região, "principalmente de esquerda", estejam fazendo uso intensivo da mídia para criar uma "alternativa aos tradicionais formadores de opinião". Segundo o jornal, os meios de comunicação no continente costumam pertencer a grandes grupos privados, e quando "o dono de um jornal possui uma fábrica de cimento, dificilmente os redatores irão desvendar pecados ambientais da indústria do cimento". O Berliner Zeitung diz que "a influência destes grupos cresceu ainda mais com a onda de privatizações nos anos 1990, levando a uma redução da participação estatal dentro da mídia e da qualidade das reportagens". O jornal cita a revista Veja, "a mais importante revista de notícias do Brasil", que "pratica um jornalismo crítico e investigativo, mas é dirigida a um público branco de classe média". "Entretanto a metade dos 180 milhões de brasileiros é negra e pobre e quando se lê Veja, a impressão que fica é que esses brasileiros e seus problemas não existem". Entre os "impérios da mídia com grande poder" no continente citados pelo jornal estão as Organizações Globo, às quais "nenhum governo no Brasil ousou enfrentar". Como exemplo da reação dos governos de esquerda à predominância do setor privado na mídia, o jornal cita como exemplo o anúncio recente de que o presidente do Equador, Rafael Correa, pretende transformar o falido jornal Telégrafo em um jornal estatal, e de que seu colega boliviano, Evo Morales, está criando a rede estatal Pátria Nova com 30 estações de rádio para, juntamente com a estatal Illimani, concorrer com as rádios privadas no país.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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