Presos políticos cubanos e familiares seguem sem notícias sobre libertação

Depois da confirmação da libertação de 52 presos, familiares não receberam mais informações

Efe,

09 de julho de 2010 | 18h17

HAVANA- Os cinco presos políticos cubanos que serão libertados em breve e suas famílias seguem à espera de notícias sobre como e quando irão acontecer as libertações. Consultados pela Agência Efe, os familiares dos presos afirmaram que depois da confirmação da libertação não receberam mais informações.

 

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A alegria com o anúncio deu lugar à angústia da espera. É o caso da família de Lester González Pentón, que se reuniu em sua casa na cidade de Santa Clara, 270 quilômetros ao leste de Havana, para aguardar novas informações.

 

"Estamos desesperados. Esta situação é insuportável", disse à Efe Mireya Pentón, mãe de González Pentón, que com 33 anos é o preso mais jovem do chamado "Grupo dos 75", os opositores que foram condenados a penas de até 28 anos na onda repressiva de 2003 conhecida como a "Primavera Negra".

 

O governo de Raúl Castro se comprometeu a libertar os presos deste grupo que ainda estão na prisão, um total de 52, de forma gradual e em um prazo máximo de quatro meses.

 

A decisão faz parte do diálogo aberto com a Igreja Católica da ilha e é apoiada pelo governo da Espanha, um processo que o ministro de Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, acompanhou na visita que fez esta semana a Cuba.

 

Lester González Pentón, Antonio Villarreal, José Luis García Paneque, Luis Milán Fernández e Pablo Pacheco serão os primeiros presos a sair da prisão após terem aceitado deixar a ilha e viajar para a Espanha, consultados por telefone pelo cardeal Jaime Ortega, o principal interlocutor da Igreja com o regime cubano neste

processo.

 

A Espanha aceitou a "proposta" do governo de Raúl Castro de receber os 52 opositores e a suas famílias, segundo informou Moratinos na quinta-feira em Havana horas antes de finalizar sua viagem a Cuba.

 

Fontes do governo espanhol disseram que os cinco primeiros presos poderiam chegar ao país no começo da próxima semana, e ressaltaram que eles não devem viajar como asilados políticos, mas sim com o estatuto de imigrantes, por isso poderão retornar, embora precisem de autorização.

 

Seus familiares também poderão deixar Cuba e manterão suas propriedades, ou seja, não haverá expropriações.

 

No caso de Lester González, toda sua família irá para Espanha: sua esposa, sua mãe, seu padrasto e suas duas irmãs com seus respectivos maridos e filhos.

 

Enquanto os presos e seus familiares esperam notícias, o dissidente Guillermo Farinãs começou nesta sexta-feira a ingerir sucos, sopas e gelatina, um dia depois de anunciar sua decisão de abandonar a greve de fome que manteve durante mais de quatro meses para pedir a liberdade de presos políticos doentes.

 

Alicia Hernández, mãe de Farinãs, explicou à Efe que a equipe médica que atende seu filho no hospital de Santa Clara, onde ele está internado desde o dia 11 de março, decidiu incorporar estes alimentos à dieta nesta sexta depois que o jornalista voltou ontem a beber água.

 

Os especialistas devem acompanhar como Farinãs tolera esta dieta antes de passar à alimentação sólida. O dissidente permanecerá hospitalizado até que seu estado de saúde, que continua crítico, se normalize.

 

Hernández comentou que seu filho passou uma noite ruim devido as dores de um hematoma que apresenta na coxa, apesar do especialista que o examinou esta manhã não ter visto nada de grave na área.

 

Farinãs anunciou na quinta-feira a suspensão de seu protesto perante as libertações anunciadas pelo regime cubano.

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