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Pressionado por escândalos, Lugo diz que não renuncia

Presidente do Paraguai pede perdão por processos sobre três pedidos de paternidade, um deles assumido

Agências internacionais,

24 de abril de 2009 | 12h40

O presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, afirmou nesta sexta-feira, 15, que permanecerá no cargo até agosto de 2013, quando termina o seu mandato. "Quero dar a maior tranquilidade possível ao povo paraguaio diante dos rumores de uma suposta mudança, de instabilidade ou de conspirações". Segundo a imprensa do país, Lugo disse ainda que os escândalos sobre as supostas paternidades não provocarão retrocessos no processo que seu governo promove no país.

 

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Nas últimas duas semanas, três mulheres disseram ter filhos de Lugo, um bispo que pediu à Igreja Católica uma licença para participar da política em seu país. O presidente paraguaio reconheceu que é pai de uma das crianças, concebida enquanto ele era bispo de San Pedro (centro do Paraguai), mas ainda não se pronunciou sobre os outros dois casos.

 

Na quarta-feira, circulava no Paraguai a versão da existência de uma lista de seis outras mulheres que atribuíam a Lugo a paternidade dos filhos delas. A oposição pediu a abertura de uma investigação para verificar se o caso amoroso do presidente com uma das três mulheres teve início quando ela era menor de 18 anos - o que no Paraguai configuraria um estupro. Com isso, surgiram rumores de que os críticos de Lugo poderiam tentar abrir um processo de impeachment. Segundo a agência AFP, o senador oficialista Alfredo Jaeggli pedirá nesta sexta-feira a renúncia de Lugo. "Pedirei por nota ao presidente que renuncie e ceda seu lugar para o vice-presidente", afirmou Jaeggli, um empresário do setor cosmético.

 

Lugo ainda pediu perdão pelo escândalo que atingiu o país nas últimas semanas pelas três denúncias de paternindade. "Com relação aos acontecimentos que são de público debate, que tem relação com pedidos de paternidade referidas à minha pessoa, quero expressar o seguinte: sou um ser humano e por isso nada humano me é alheio. Ao tempo de pedir perdão por estas circunstâncias, quero ratificar que minha versão será sempre a verdade. "Quando a verdade nos acompanhar plenamente, verão este presidente como um pai disposto a multiplicar afetos e cuidados".

 

"Não esteve na minha intenção ofender a ninguém. Reconheço que faltei à Igreja e aos cidadãos que confiaram em mim. Mas a constituição nacional permite a privacidade, o que for além disso será resolvido como questões constitucionais. Não escaparei às minhas responsabilidades de presidente", disse.

 

O governo paraguaio alega que o presidente não pode ser submetido a um processo político porque o escândalo diz respeito à sua vida privada. "A Constituição estabelece claramente por quais razões se pode processar um presidente e uma questão pessoal não está entre elas", disse na quinta o ministro do Interior, Rafael Filizzola. O vice-presidente, Federico Franco, que nos últimos meses vem se distanciando de Lugo por discordâncias em relação às mudanças em seu gabinete também saiu em sua defesa. "Temos diferenças com Lugo, mas meu partido não apoiará um processo contra ele", disse. "Não sou desses que fazem lenha com árvore caída."

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