PRÉVIA-Chávez enfrenta mais dura eleição contra jovem rival

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, enfrenta a mais dura eleição de seus 14 anos de governo no domingo, em uma votação que coloca seu carisma e sua generosidade, financiada pelo petróleo, contra a promessa do jovem desafiador Henrique Capriles de empregos, ruas mais seguras e fim do favoritismo.

BRIAN ELLSWORTH, Reuters

04 de outubro de 2012 | 13h28

Chávez, de 58 anos, enfrentou o retorno de um câncer este ano e quer um novo mandato de seis anos para consolidar sua autodenominada revolução socialista na nação integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Capriles, um jovem governador de 40 anos, correu uma maratona de oito meses de campanha com visitas casa a casa que galvanizou a oposição historicamente fraturada e estabeleceu sua melhor chance à Presidência desde a eleição de Chávez em 1998.

Uma derrota de Chávez iria defenestrar o líder do sentimento anti-EUA na América Latina, enquanto potencialmente aumentaria o acesso das empresas petrolíferas às maiores reservas mundiais de petróleo.

Já uma vitória permitiria a Chávez continuar a onda de nacionalizações e consolidar o controle sobre a economia, embora se ele sofrer uma recidiva do câncer veria enfraquecer sua liderança e, possivelmente, dar à oposição outra chance.

"A Venezuela estava afundando quando foi governada pela burguesia, e o nosso povo fez história com uma revolução que tirou a Venezuela da lama", disse o extravagante Chávez aos partidários em um de seus últimos comícios.

O ex-oficial militar, que sobreviveu a um breve golpe contra seu governo em 2002, desenvolveu quase um culto após se lançar como uma reencarnação messiânica do herói da libertação do século 19 Simon Bolívar, enquanto colocava bilhões de dólares em receitas de petróleo em programas sociais.

A maioria das pesquisas mais conhecidas coloca Chávez na frente. Mas duas apontam vantagem de Capriles, e seus índices têm subido nas outras.

LAÇOS EMOCIONAIS

As histórias de Chávez de sua infância pobre, mas feliz, em uma pequena cidade ajudaram a criar intensos vínculos emocionais com os venezuelanos pobres, que o veem como um membro da família. Por quase uma década, ele conquistou eleitores com clínicas de saúde gratuitas, alimentos subsidiados e novas universidades.

Ao longo do ano passado, ele lançou programas para dar pensões aos idosos, ajuda financeira a mães pobres, e dezenas de milhares de novas casas foram entregues na televisão ao vivo para adeptos cheios de lágrimas.

Contudo, as questões do dia-a-dia estão ofuscando o fervor ideológico.

Nacionalizações têm enfraquecido a iniciativa privada e dado aos integrantes do partido controle crescente sobre empregos. A fraca aplicação da lei, tribunais disfuncionais e armas em excesso tornaram a Venezuela mais violenta do que alguns países devastados pela guerra. Blecautes frequentes são um lembrete desagradável da renda do petróleo desperdiçada.

"Cada um de vocês deve fazer uma lista dos problemas que possui e se perguntar, quantos desses problemas esta revolução famosa resolveu para você?", afirmou Capriles em um comício recente.

Graduado em direito e amigo dos empresários, ele ganhou facilmente uma eleição primária da oposição em fevereiro e uniu os partidos anti-Chávez como ninguém antes dele.

Capriles prometeu romper com a visão doutrinária de Chávez de uma economia liderada pelo Estado e optar por um equilíbrio pragmático entre o bem-estar social e a livre iniciativa. Ele se considera um admirador da esquerda do Brasil, favorável ao mercado, que elevou quase 35 milhões de pessoas para a classe média ao longo de uma década.

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