AFP
AFP

Primeira submarinista da América do Sul estava a bordo do San Juan

A argentina Eliana Krawczyk, de 35 anos, é a única mulher a bordo da embarcação, desaparecida desde quarta

O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2017 | 02h00

BUENOS AIRES - A argentina Eliana Krawczyk sonhava em ser engenheira industrial, mas uma tragédia familiar a fez mudar o curso de sua vida e se tornar a primeira submarinista da América do Sul, em 2012.  Aos 35 anos, ela é chefe de armas do submarino ARA San Juan, desaparecido desde quarta-feira, com 44 tripulantes — Krawczyk é a única mulher a bordo.

No último sábado, sete sinais de satélite que podem ter sido emitidos pelo submarino foram detectados, mas por enquanto as operações de busca seguem sem resultados.

+++ Para lembrar: Torpedo explodiu dentro do Kursk

Nascida em Oberá, a cerca de 560km do litoral, na província de Misiones — que faz fronteira com os estados da região Sul do Brasil — Eliana só foi conhecer o mar aos 21 anos. A morte de seu irmão em um acidente de trânsito e da sua mãe, vítima de infarto, a motivaram a mudar de vida. 

"Um dia, pela internet, vi um aviso da Marinha convocando jovens. Fui correndo à Posadas e me inscrevi. Deixei tudo e viajei à Escola Naval Militar de Ensenada. Levei uma foto de mamãe na carteira", relatou a revista Viva, em entrevista.

Após terminar a Escola Naval, a paixão pelo mar a levou a especialização e à formação como submarinista. "Me especializei em armas submarinas, e em 2012 pude fazer o curso de sumbarinista. Fiquei quatro anos embarcada no ARA Salta, e este é meu primeiro ano no ARA San Juan", disse.

A família, que ainda vive em Oberá, segue angustiada com seu paradeiro — a cidade fica a 1.500 km de distância de Mar del Plata, para onde a embarcação se dirigia, e onde estão concentrados os esforços de busca. "É um momento dramático", declarou o pai, Eduardo Krawczyk, na última sexta à noite, incomodado com a falta de informações por parte da Marinha. "Não querem nos passar informações que podem ser incorretas, nem dar falsas esperanças", disse.

Segundo seu pai, Eliana era muito exigente. "Me disse que estava contente de estar embarcada. Ela era chefe de armas do submarino. Não é uma oficial que se acomodou, ela seguiu estudando."

A fotografia da oficial,  sorridente ecom a bandeira argentina em mãos, correu as páginas da imprensa do país no último sábado.

Ela se orgulha de ser pioneira. "Sou a primeira submarinista da Argentina e da América do Sul. Hoje já há uma oficial na Venezuela, há também uma oficial que ingressou no ano passado, em outro submarino, e seis suboficiais mulheres", contou em maio para o site Infobae.

Eliana também falou sobre o fato de ser a única mulher a bordo do submarino. "Sempre vivi bem. Nunca sofri intervenção de ninguém, nem tive nenhum problema. Durmo com outros dois companheiros no mesmo camarote. Sou a única mulher a bordo e me sinto bem, contente e feliz." / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.