Primeiro resultado parcial dá vitória a Cristina Kirchner

Primeiras contagens oficiais confirmam a boca-de-urna, que apontou eleição da primeira dama argentina

Marina Guimarães, da Agência Estado,

28 de outubro de 2007 | 22h59

O primeiro resultado parcial oficial da apuração dos votos das eleições presidenciais da Argentina acaba de ser divulgado e dá vitória para a candidata do governo, a primeira dama Cristina Fernández de Kirchner (Frente para a Vitória) com 42,25%. Em segundo lugar, ao contrário do resultado da boca-de-urna, aparece O ex-ministro de Economia do governo de Néstor Kirchner, Roberto Lavagna (UNA-Uma Nação Avançada) com 21,50%, enquanto que Elisa Carrió (Coalizão Cívica) está em terceiro lugar com 18,13%.  Veja também: Especial: as eleições argentinas Bocas-de-urna apontam vitória de Cristina Kirchner no 1º turnoEleição argentina começa com atrasos e 'estresse'Oposição alerta para riscos de fraudes Cristina: 'Não sou Hillary nem Evita'Encerramento da votação na Argentina é adiado A votação foi concluída às 19 horas (20 horas de Brasília) e o resultado de boca-de-urna divulgado naquele instante apontava para um amplo triunfo de Cristina com 46,3%, seguida por Carrió, com 23,7%. Lavagna aparecia em terceiro, com 13,1%.  Apesar da diferença dos resultados sobre o segundo lugar, o primeiro colocado - Cristina Kirchner - está confirmado, como projetavam todas as pesquisas de intenção de votos divulgadas até a última quinta-feira. Segundo a Constituição argentina, o candidato necessita obter mais de 45% dos votos ou 40% e uma diferença de 10% de seu adversário para vencer no primeiro turno. O clima é de vitória com os primeiros resultados da boca-de-urna. Os assessores da candidata informaram que ela deverá fazer um discurso ainda nesta noite, mas só depois do resultado das primeiras apurações, que deverá sair por volta das 21 horas (22 horas de Brasília). Votação O fim da votação foi adiado por 60 minutos, até as 19 horas locais (20 horas de Brasília), por causa de problemas e atrasos ocorridos durante a eleição. Até as 16 horas (17 horas de Brasília) haviam votado somente entre "35% a 40% dos eleitores" que poderiam votar. Ainda no fim da tarde, as filas em milhares de seções eram enormes e os eleitores estavam irritados com as demoras de mais de uma hora.  A votação começou com atraso porque muitas pessoas que foram convocadas para trabalhar nas mesas eleitorais não compareceram, mesmo sob a ameaça de serem presas, como prevê o código eleitoral. Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, Alejandro Tulio, cerca de 700 voluntários compareceram para ocupar as vagas de mesários e a situação se normalizou cerca de duas horas depois de aberta a votação.  Os resultados da apuração provisória da eleição argentina estão disponíveis no site www.resultados2007.gov.ar a partir das 21 horas (22 horas de Brasília), segundo informações do Ministério do Interior.  Denúncias Denúncias formais de cinco dos 14 candidatos à Presidência da Argentina, por falta de cédulas de votação com seus nomes, prometem provocar muitas polêmicas. A organização não-governamental Fundação Poder Ciudadano informou que recebeu "160 ligações telefônicas, em sua grande maioria de eleitores da Província de Buenos Aires, que denunciavam a falta de cédulas".  A segunda colocada nas pesquisas de opinião, Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, reclamou da demora de encontrar a cédula com seu nome na hora de votar. A candidata à deputada federal Patrícia Bullrich, aliada de Carrió, denunciou a falta de cédulas e defendeu uma reforma política no país, com a inclusão do voto eletrônico. Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, a distribuição das cédulas "não é responsabilidade da Justiça Eleitoral, mas sim dos partidos, que devem distribuir essas cédulas".  O sistema argentino é confuso, já que o eleitor, ao entrar na cabine, chamada pelos argentinos de "quarto escuro", se depara com inúmeras cédulas dos vários candidatos de diferentes partidos para votar. No caso da eleição para deputados e senadores, existe o sistema de listas, chamado de "sábana" (lençol, em português), que tem um cabeça de chapa, que acaba puxando votos para os demais candidatos que o seguem.  A desconfiança sobre o sistema eleitoral argentino tem aumentado o debate sobre a implantação do voto eletrônico no país. Também levou três dos principais candidatos à presidência a pedirem que a Argentina implemente o voto eletrônico. "É importante que a Argentina adote o voto eletrônico, como fez o Brasil, o Paraguai e outros países", afirmou Lopez Murphy. Para o candidato Roberto Lavagna, do UNA (Uma Nação Avançada), a Argentina precisa se inspirar no Brasil e adotar o sistema do voto eletrônico.  Ele avalia que o Brasil foi um "modelo de transparência" e de "agilidade" na última eleição, por exemplo, na disputa do segundo turno, no ano passado. Alberto Rodríguez Saá (Frente Justiça, União e Liberdade) também denunciou a falta de cédulas com seu nome e defendeu o voto eletrônico. (Com AP) 

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