Primeiros exames de DNA de herdeiros argentinos dão negativo

O DNA dos filhos adotivos de uma das mulheres mais ricas da Argentina não correspondeu a amostras de sangue de duas famílias que suspeitam que os irmãos tenham sido roubados quando eram bebês de prisioneiras políticas nos anos 1970, disseram fontes da Justiça na segunda-feira.

HELEN PO, REUTERS

11 de julho de 2011 | 19h54

Uma batalha travada há dez anos por ativistas de direitos humanos para analisar amostras de DNA de Felipe e Marcela Noble Herrera, cuja mãe, Ernestina, é proprietária do império de mídia argentino Grupo Clarín, vem se politizando cada vez mais nos últimos anos.

O Clarín se desentendeu com a presidente Cristina Kirchner depois de seus veículos de mídia terem criticado o modo como ela tratou uma revolta de produtores agrícolas em 2008, e a presidente vem exortando os tribunais a esclarecer a identidade dos irmãos Noble Herrera.

Citando fontes legais, a agência de notícias estatal Telam disse que o DNA dos irmãos Noble Herrera não correspondeu a amostras dadas pelas famílias Lanoscu-Miranda e Gualdero-Garcia.

Um advogado de Ernestina Herrera de Noble disse que agora as amostras dos irmãos serão comparadas a DNA obtido de familiares de vítimas da ditadura militar argentina de 1976-1983.

"Isto não deve levar mais que 72 horas", disse o advogado Gabriel Cavallo à televisão local. "Uma vez sequenciado o DNA, é questão de fazer a verificação num computador."

"Este é um resultado positivo para nós e comprova o que vínhamos dizendo desde o início", ele acrescentou.

Cavallo disse que a decisão dos irmãos Noble Herrera de fornecer voluntariamente amostras de seu DNA para a realização de análises cruzadas, no mês passado, mostra que eles estão dispostos a cooperar com os esforços feitos pelo grupo Avós da Praça de Maio para localizar os filhos de mulheres encarceradas em prisões secretas durante a chamada Guerra Suja.

Os irmãos Noble Herrera, ambos na casa dos 30 anos, acusaram o governo argentino de centro-esquerda de "assédio e perseguição" e de tentar usar o caso para marcar pontos contra as empresas da mãe deles.

Cristina Kirchner vai se candidatar à reeleição em outubro, e sua campanha pode sofrer um incômodo se o DNA dos Noble Herrera não corresponder a amostras contidas no banco de dados genéticos, porque o governo dela vem fazendo pressão forte para que o DNA seja analisado.

O grupo das Avós da Praça de Maio já identificou 102 filhos adotados ilegalmente, mas acredita que ainda possa haver outras centenas que ainda não descobriram suas verdadeiras identidades.

De acordo com grupos de defesa dos direitos humanos, durante a Guerra Suja até 30 mil pessoas foram sequestradas e mortas na repressão movida pelo Estado contra a dissensão de esquerda.

Muitos dos bebês, sequestrados com seus pais ou nascidos de mães no cativeiro, foram adotados ilegalmente por famílias de militares ou amigos da junta militar.

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