Eduardo Di Baia/AP
Eduardo Di Baia/AP

Primeiros resultados dão vitória a José Mujica no Uruguai

Segundo sondagens, ex-guerrilheiro conquistou entre 50,1% e 51,5% votos; Lacalle, entre 44,4% e 46,2%

estadao.com.br,

29 Novembro 2009 | 20h45

Os primeiros resultados oficiais do segundo turno das eleições realizadas neste domingo, 29, no Uruguai confirmam a vitória da legenda de esquerde da Frente Ampla integrada por José Mujica e Danilo Astori, em cima do conservador Partido Nacional de Luis Alberto Lacalle e Jorge Larrañaga. Com 41,6% dos votos apurados pela Corte Eleitoral a chapa Mujica-Astori obteve 456.824 votos, e a de Lacalle-Larrañaga 429.356.

 

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Segundo as pesquisas de boca de urna, Mujica obteve entre 50,1% e 51,5% dos votos e Lacalle entre 44,4% e 46,2% dos sufrágios. O ex-presidente Lacalle (1990-1995) já reconheceu sua derrota e chamou seus seguidores para "vigiarem as instituições". "José Mujica será nosso presidente, devemos aceitá-lo", enfatizou.

 

Enquanto isso, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, enviava um abraço por telefone a Lacalle e ia ao quartel-general de Mujica para felicitá-lo. "Para o Uruguai amanhã começa uma nova etapa, na qual devemos trabalhar juntos e buscar melhores condições de vida para todos", afirmou o presidente.

 

Um eufórico Mujica anunciou em um festivo comício sua intenção de governar com os cidadãos e lançou uma mensagem conciliadora aos partidos derrotados, aos quais pediu para trabalharem juntos pelo país. "Há daqueles que não se dão conta de que o poder não está em cima, mas no coração das grandes massas", afirmou o ex-guerrilheiro de 74 anos.

 

Em um tom amistoso que contrastou com algumas críticas durante a campanha, das quais hoje se desculpou, Mujica assegurou que o governo eleito "não é dono da verdade" e "precisa de todos". "Meu reconhecimento aos homens que representaram o Partido Nacional, o Partido Colorado e o Partido Independiente", as forças derrotadas, afirmou

 

Vázquez votou muito cedo, entre gritos de "volta, volta" de eleitores que estavam na seção, em referência às eleições de 2014. Ao contrário do habitual, Vázquez estava relaxado. Ele permaneceu quase meia hora na seção eleitoral falando com dezenas de pessoas que lhe pediam autógrafos e também respondeu a todas as perguntas da imprensa.

 

Lacalle, advogado e proprietário de terras de 68 anos, que governou o país adotando políticas neoliberais entre 1990 e 1995, votou mais tarde, rodeado de partidários com bandeiras do PN.

 

Segundo a Corte Eleitoral, a participação dos 2,5 milhões de uruguaios habilitados para votar foi de perto de 90%, em uma jornada que se desenvolveu em um clima de concórdia e civismo.

 

CONTINUIDADE

 

O governo da Frente Ampla aplicou uma ordenada política econômica que permitiu ao Uruguai evitar entrar em recessão na atual crise financeira mundial. Também atraiu mais investimentos, ao afastar qualquer temor que uma gestão de esquerda pudesse provocar. Mujica prometeu seguir a mesma política econômica de Vázquez, esboçada pelo ex-ministro e seu candidato a vice, Danilo Astori.

 

"Não se deve esperar grandes novidades, exceto aquelas que possam derivar de conjunturas políticas distintas, mas na realidade o programa, o compromisso político é de continuidade e afirmação das conquistas que o governo atual obteve", disse Mujica no sábado, falando à imprensa estrangeira.

 

O candidato também descartou a possibilidade de uma guinada mais à esquerda em política externa e insistiu que sua maior afinidade é com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante da bem-sucedida gestão da Frente Ampla na área econômica, o próprio Lacalle se absteve de anunciar mudanças drásticas se chegar à Presidência, limitando-se a prever a redução de alguns impostos.

 

(Com Efe e Reuters)

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