Primo de Uribe pode ser preso por ligação com paramilitares

Mario tem prisão preventiva decretada pela Justiça por envolvimento com milícias colombianas de direita

REUTERS

22 de abril de 2008 | 13h06

A Procuradoria Geral da Colômbia informou ter ordenado nesta terça-feira, 22, a prisão do ex-senador Mario Uribe, primo do presidente Alvaro Uribe e investigado por suas supostas ligações com paramilitares de ultradireita. Ele é um dos mais importantes nomes envolvidos no escândalo da ligação entre políticos e as milícias de direita - grupos criados para combater a guerrilha e que também acabaram envolvidos em crimes. Mario Uribe, que foi senador do Partido Colômbia Democrática e presidente do Congresso, renunciou ao seu mandato depois que a Corte Suprema de Justiça o vinculou, em setembro de 2007, ao processo da chamada "parapolítica" e o caso foi assumido pela Procuradoria. "A Procuradoria Geral da Nação ditou medida de prisão preventiva (...) contra o senador Mario Uribe pelo delito de associação para delinquir através de acordos para promover grupos armados à margem da lei", disse um comunicado.  "Uribe é investigado por uma reunião que sustentou com o ex-líder paramilitar Salvatore Mancuso, antes das eleições de 10 de março de 2002, e com Jairo Castillo Peralta, codinome 'Pitirri', em novembro de 1998", informou a Procuradoria. Mario está na embaixada da Costa Rica, em Bogotá, para pedir asilo ao governo costarriquenho, segundo confirmou o seu advogado, José de Carmen Ortega. Com a ordem, subiu para pelo menos 32 o número de congressistas e ex-legisladores presos, enquanto mais de 30 outros são investigados por acusações de fazer acordos com paramilitares de ultradireita ou de receber apoio financeiro ou logístico para serem eleitos com votos de regiões controladas por esses grupos armados.  A maioria dos legisladores investigados e presos é de aliados do presidente Uribe, que apesar do escândalo e da crise mantém uma popularidade de mais de 80 por cento. O mandatário descartou a possibilidade de desmanchar o Congresso e convocar novas eleições, conforme pede a oposição.  Os paramilitares apareceram na década de 1980 como exércitos privados financiados por pecuaristas, proprietários de terra, comerciantes e narcotraficantes perseguidos pela guerrilha. Esses esquadrões, acusados de obter milhões de dólares do narcotráfico e de cometer as piores violações aos direitos humanos, se desmobilizaram em meio a um acordo de paz com o governo em que mais de 31 mil combatentes entregaram as armas.

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