Principal partido de oposição a Evo Morales se divide

Congressistas de Santa Cruz criam legenda às margens do Podemos, que sofre divisão por divergências internas

AP e Efe,

13 de novembro de 2008 | 16h16

Congressistas de Santa Cruz criaram um partido político às margens do Poder Democrático e Social (Podemos), que até agora tem sido a principal força de direita e opositora ao presidente boliviano Evo Morales. O presidente do Senado e um dos dirigentes do Podemos, Oscar Ortiz, anunciou nesta quinta-feira, 13, seu plano político e de seus correligionários, que o levaria a renunciar a seu cargo quando o projeto se concretizar.   Veja também: Oposição pede fim de estado de sítio em Pando para dialogar   Em 25 de janeiro os bolivianos votaram em um novo projeto de Constituição que, se aprovado, dará lugar a eleições nacionais possivelmente em dezembro de 2009. Região autônoma, Santa Cruz é o principal reduto opositor, que lidera as demandas regionais de autonomias. Seus líderes já anteciparam que farão campanha para que o projeto constitucional promovido por Evo seja rechaçado.   O Podemos é liderado pelo ex-presidente Jorge Quiroga (2001-2002), engenheiro industrial formado nos Estados Unidos que aparece como o principal rival de Evo. Atualmente, o partido tem se dividido em meio aos confrontos entre governo e líderes autonomistas. As discrepâncias se agravaram depois que o Podemos apoiou a convocação de um referendo revogatório em agosto no qual Evo saiu fortalecido.   Os líderes das regiões autônomas também não estiveram de acordo com o Podemos quando o partido facilitou no Congresso a revisão do projeto constitucional e respaldou o referendo sobre a nova constituição. O senador do Podemos Tito Hoz de Vila comentou que a oposição terá uma opção para vencer Evo se for capaz de aglutinar uma grande frente nacional em vez de projetos isolados.   Estado de sítio   Ainda nesta quinta-feira, Evo anunciou nos próximos dez dias suspenderá o estado de sítio no departamento (Estado) de Pando, para cumprir com a exigência da corte eleitoral e, dessa forma, garantir o referendo sobre a nova Constituição. O anúncio foi feito pelo presidente boliviano durante sua participação no 198.º aniversário do Exército, no qual agradeceu o apoio das Forças Armadas em manter a democracia no país.   Evo disse entender "o pedido clamoroso" da população de Pando de manter o estado de sítio, mas destacou que tem a obrigação de respeitar as normas vigentes e que essa medida de exceção "terminará no máximo até dia 23 deste mês."   A Corte Nacional Eleitoral (CNE) havia ameaçado suspender a organização do referendo constitucional caso depois de 23 de novembro continuasse vigente o estado de sítio em Pando. O argumento da corte eleitoral boliviana é que o calendário da consulta é incompatível com as limitações de liberdades e direitos que representa o estado de sítio.   A medida foi decretada na região de Pando em meados de setembro, na tentativa de pôr fim a uma onda de violência que causou a morte de 18 pessoas, a maioria camponeses partidários de Evo.

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