Prisão de chefe do tráfico será novo marco, diz polícia mexicana

Edgar 'La Barbie' Valdez era o favorito para liderar o cartel Beltran Leyva após morte de outro 'capo'

MISSY RYAN E CYNTIA BARRERA, REUTERS

31 de agosto de 2010 | 13h02

  'La Barbie' sorri durante sua apresentação à imprensa. Foto: Ivan Stephens/Efe  

CIDADE DO MÉXICO - As autoridades mexicanas mostraram em público nesta terça-feira, 31, do traficante Edgar 'La Barbie' Valdez, um dos líderes do cartel Beltrán Leyva , preso na segunda. Sua detenção, segundo a polícia mexicana, é o início de uma nova era na guerra do presidente Felipe Calderón contra os cartéis.

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Edgar "La Barbie" Valdez, de 37 anos e nascido no Texas, soltou um sorriso enquanto era levado algemado por policiais federais mascarados diante de repórteres e câmeras, ao lado de comparsas, armamentos sofisticados e pacotes plásticos cheios de drogas.

Vestindo uma camisa pólo verde, jeans e tênis, Valdez, que ganhou o apelido de "La Barbie" devido à pele clara, sorriu maliciosamente enquanto autoridades comentavam sua prisão, ocorrida próxima à Cidade do México na noite de segunda-feira.

"Ele foi preso, e esta operação encerra um capítulo no tráfico de drogas no México", afirmou o policial federal Facundo Rosas à emissora Televisa.

Não ficou claro se a prisão de Valdez, segunda vitória de Calderón contra os cartéis neste ano, pode estancar a imensa violência relacionada ao tráfico de drogas, que ameaça a imagem do México enquanto o país luta para sair da recessão e procura ganhar dinheiro com o turismo.

Mais de 28 mil pessoas morreram desde que Calderón lançou sua campanha contra o crime organizador, no final de 2006, e a violência não mostra sinais de que vai acabar, uma vez que gangues rivais brigam pelo controle de rotas de tráfico.

Autoridades disseram que Valdez, um líder do cartel Beltran Leyva, que tem base na região central do México, trafica uma tonelada de cocaína por mês e era responsável por "várias dezenas" de assassinatos.

Sua prisão se seguiu a uma operação, em julho, que matou Ignacio "Nacho" Coronel, número três no cartel rival, chamado Sinaloa.

Mas operações similares causaram no passado o aumento da violência, com subordinados batalhando pelo controle das gangues, que, estima-se, movimentem até 40 bilhões de dólares por ano.

A violência começou a se espalhar para além dos traficantes e das forças de segurança depois que os cartéis passaram a mirar prefeitos e imigrantes que tentavam cruzar a fronteira do México para os Estados Unidos.

Valdez era o favorito para liderar o cartel Beltran Leyva depois que soldados mataram seu ex-chefe, Arturo Beltran Leyva, em dezembro de 2009.

"A investigação não foi concluída. E, neste ponto, não está claro quem poderia substituí-lo", disse Rosas.

Autoridades se esquivaram de perguntas sobre se Valdez, que segundo Rosas tinha cidadania norte-americana e possivelmente mexicana, seria enviado para os EUA para julgamento, onde há uma recompensa de dois milhões de dólares pela sua cabeça.

Nascido em uma família de classe media em Laredo, no Texas, Valdez jogou futebol americano no colégio e desenvolveu um gosto por carros de luxo e pela vida noturna antes de ir para o México para trabalhar com cartéis de drogas.

Valdez, que não fez comentários e foi levado em um veículo blindado no final de sua apresentação, já forneceu algumas informações para as autoridades, segundo Rosas.

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