Projeções confirmam que haverá segundo turno no Uruguai

Ex-guerrilheiro José 'Pepe' Mujica teria conquistado entre 47% e 48% dos votos; Luis Alberto Lacalle, 30%

Ariel Palacios, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

25 de outubro de 2009 | 22h45

O ex-guerrilheiro tupamaro José 'Pepe' Mujica, candidato presidencial da coalizão de governo Frente Ampla, uma colcha de retalhos integrada por socialistas, democratas cristãos, comunistas e tupamaros teria tido - segundo projeções de mais da metade dos votos apurados - entre 47% e 48% dos votos nas eleições presidenciais realizadas neste domingo, 25, no Uruguai. Essa proporção é insuficiente para vencer a eleição no primeiro turno, já que a lei uruguaia requer pelo menos metade mais um dos votos emitidos para conseguir a vitória.

 

Veja também:

blog Uruguaios da 'diáspora' podem virar uma eleição

 

O rival de Mujica, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional (Blanco), teria conseguido 30% dos votos. "A sociedade nos exige mais um esforço" exclamou Mujica, que aspira suceder no poder o presidente Tabaré Vázquez, um socialista 'light', correligionário seu dentro da coalizão centro-esquerdista que há meia década comanda o Uruguai. Neste domingo à noite, o ex-guerrilheiro reciclado em floricultor e senador, definiu o resultado destas eleições como "uma vitória política" e prometeu "continuar a luta" para o segundo turno, marcado para o dia 29 de novembro.

 

O candidato a vice de Mujica, o ex-ministro da Economia Danilo Astori, sustentou que "o segundo turno será um verdadeiro plebiscito entre duas posições, isto é, nós, que possuímos um projeto de país, e os outros que não possuem projeto algum". Luis Eduardo Gonzalez, diretor da consultoria Cifra, sustentou que a Frente Ampla teria ficado com 47% dos votos. O Partido Nacional conseguiu, de acordo com as projeções, 30%. O Partido Colorado teria obtido 17%, enquanto que o Partido Independente, 2%.

 

Oscar Botinelli, diretor do Instituto Factum, anunciou que suas projeções indicavam 48% para a Frente Ampla de Mujica, enquanto que o Partido Blanco de Lacalle teria conseguido 28,7%. Os colorados ficariam com 17,%, enquanto que os independentes teriam tido 2,5%. Os analistas ressaltam que o apoio colorado será crucial para que o acional Lacalle possa planejar seu confronto com o frenteamplista Mujica no segundo turno. Mas, analistas indicavam que Mujica teria orça para vencer o rival.

 

No entanto, Lacalle, indicado como "neo-liberal" pela esquerda (mas que define a si próprio como "nacionalista pragmático") promete não resistir e acena para os colorados para conseguir respaldo para a nova etapa nas urnas. Mujica não conseguiu capitalizar para si próprio a intensa popularidade do presidente Vázquez, que possui 65% de aprovação popular. Os analistas indicam que alguns setores da centro-esquerda uruguaia temem o estilo "frontal" de Mujica, que deixa de lado a tradicional placidez e formalidade da política local.

 

PARLAMENTO

 

Os uruguaios também votaram nos parlamentares que ocuparão as 30 cadeiras no Senado e as 99 vagas na Câmara de Deputados. A Frente Ampla poderia garantir a continuidade de seu controle em ambas casas se angariasse 48,5% dos votos. Mas, com a possibilidade de que não teria obtido mais de 48% dos votos, perderia o domínio parlamentar, ficando com sua força praticamente empatada com a totalidade dos partidos da oposição. Desta forma, o mapa do poder ficaria equilibrado entre governo e oposição.

 

PLEBISCITOS

 

A eleição presidencial, a sexta no Uruguai desde a volta da democracia em 1985, também foi acompanhada por dois plebiscitos, que necessitavam metade mais um dos votos para serem aprovados. Um dos plebiscitos foi convocado para anular a "lei de caducidade punitiva do Estado", denominação da lei de anistia aos militares que cometeram violações aos Direitos Humanos durante a ditadura militar (1973-85).

 

O outro plebiscito foi convocado para possibilitar que os uruguaios que residem no exterior tivessem direito ao denominado "voto epistolar", isto é, votar por carta. Tanto a anulação da lei de anistia como a implementação do voto epistolar são bandeiras da Frente Ampla. No entanto, as projeções neste domingo à noite indicavam que o governo havia sido derrotado em ambos plebiscitos, já que a lei de anistia permanecerá ativa, enquanto que o voto por carta fica descartado. "Temos que aceitar com serenidade este resultado", ponderou Astori.

Tudo o que sabemos sobre:
Uruguaieleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.