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Promotoria pede prisão de líder opositor na Venezuela

Prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, é considerado um dos principais líderes antichavistas no país

Agências internacionais,

19 de março de 2009 | 14h44

O Ministério Público da Venezuela pediu nesta quinta-feira, 19, a prisão do prefeito oposicionista Manuel Rosales, sob acusação de enriquecimento ilícito. A medida representa a ação mais dura dos últimos anos contra um adversário do presidente Hugo Chávez, e poderia significar 3 a 10 anos de prisão caso se comprovem as irregularidades supostamente ocorridas quando Rosales governava o Estado de Zúlia (oeste). 

 

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"A medida (de prisão) foi solicitada no mesmo escrito, de todas maneiras isso será elucidado na audiência preliminar. É o tribunal quem deve aceitá-la ou não", disse a promotora Katiuska Plaza à TV estatal.  A Promotoria Geral informou em comunicado que o processo contra Rosales se baseou em um informe que ele apresentou em julho de 2007 à Controladoria Geral, sobre a declaração jurada de

patrimônio que realizou como governador.

 

"Esse informe, remetido ao Ministério Público em 14 de agosto de 2007, concluiu que Manuel Rosales registrou fundos que não pôde justificar ante o órgão controlador", sustenta o texto. Plaza disse que um tribunal analisará a demanda e decidirá em 20 dias se o prefeito será preso ou não. Rosales, um dos principais líderes da fragmentada oposição venezuelana, disse que Chávez está por trás do processo.

"Não é o Ministério Público. Essa é uma ordem que Chávez deu desde o final do ano passado e esteve insistindo nesse tema porque, como todos sabemos, na Venezuela os poderes não funcionam", disse ele ao canal local Globovisión. "Vou enfrentá-lo em todos os terrenos. Chávez é um covarde que, agarrado às calças dos militares, com os poderes controlados, pretende dobrar o povo da Venezuela dando um chute na Constituição", acrescentou, irritado.

A oposição acusa Chávez de querer ocupar todos os espaços de poder no país, enquanto o presidente assegura que seus adversários representam interesses da "oligarquia" contrária à sua "revolução socialista". Rosales, com mais de 30 anos de carreira política no petroleiro Zúlia - Estado de maior população no país -, foi o candidato único da oposição contra Chávez na eleição presidencial de 2006. Derrotado, continuou sendo um dos maiores detratores do presidente.

No final do ano passado, quando se candidatou a prefeito de Maracaibo, capital de Zúlia, a Assembleia Nacional e a Promotoria começaram a investigá-lo por suposta corrupção, instruídos por Chávez. O presidente venezuelano se empenhou bastante na campanha, apoiando seus candidatos e atacando os opositores - Rosales era um de seus alvos preferidos.

 

Entretanto, depois que o presidente disse em reiteradas ocasiões que seu rival seria preso, as águas se acalmaram durante a bem sucedida campanha eleitoral que permitiu a Chávez eliminar os limites à sua reeleição, no referendo de um mês atrás. Se for preso, julgado e condenado por corrupção, Rosales poderá receber uma sentença de três a dez anos de prisão. Maracaibo é a segunda maior cidade da Venezuela, com cerca de três milhões de habitantes.

 

(Matéria atualizada às 19h20)

 

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