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Proposta de diálogo de Micheletti é 'manipulação', diz Zelaya

Presidente deposto diz que não haverá acordo sem que haja 'igualdade' nas eleições do dia 29 de novembro

Efe,

23 de setembro de 2009 | 03h28

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta quarta-feira, 23, que a oferta de diálogo feita pelo governante interino, Roberto Micheletti, é uma "manipulação" e o acusou de não ter vontade de resolver a crise que vive o país.

 

"Tudo isto é uma manipulação", indicou Zelaya em declarações a Rádio Globo e ao Canal 36, depois que Micheletti manifestasse sua disposição a dialogar com o líder deposto para solucionar a crise que vive o país se este reconhece as eleições marcadas para 29 de novembro e sem que isto signifique sua volta ao poder.

 

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Zelaya acrescentou que "não há vontade de resolver a crise que tem o país" em Micheletti e afirmou que Honduras vive uma convulsão "por causa do golpe de Estado", de 28 de junho. "Devem deixar de manipular a opinião pública, eu vim aqui para que o diálogo seja direto, para que não tenha comparsas, nem nenhum tipo de distúrbios", ressaltou o presidente deposto, que retornou a Honduras, na segunda-feira, e se encontra abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

 

Zelaya disse que se não há "igualdade para todos" nas eleições gerais convocadas para o próximo dia 29 de novembro, não há trato. "Assim não há trato, se há eleições têm que haver condições de igualdade para todos, não perseguição contra uns e favor para outros", expressou Zelaya pouco depois que Micheletti ter anunciado sua oferta de diálogo através de seu chanceler, Carlos López.

 

Mais cedo o presidente do Governo de facto de Honduras, Roberto Micheletti, disse estar disposto a conversar com o líder deposto, Manuel Zelaya, para resolver a crise que vive o país se este reconhecer a convocação das eleições de 29 de novembro. A proposta, no entanto, não prevê o retorno de Manuel Zelaya à Presidência da República.

 

Zelaya indicou que ele não pretende se furtar à justiça em seu país, diante das "supostas acusações" contra si por supostos delitos de corrupção, incluído o de "traição à pátria", que fez a Promotoria.

Acrescentou que responderá a essas acusações no momento em que for chamado, mas que os membros do governo interino de Micheletti "não podem desconhecer que houve um golpe de Estado". "Houve um golpe de Estado, o que também é um delito, e também eles têm que responder aos tribunais por esse delito", contou Zelaya, que chegou de surpresa em Honduras 86 dias depois do golpe.

 

Disse, além disso, que está chamando a comunidade nacional e internacional e "as forças vivas da sociedade para que se inicie o diálogo para a reconstrução do sistema democrático do país e para que nunca mais volte a se desrespeitar e suplantar a soberania popular, que é o mais sagrado de uma democracia".

 

A comunidade internacional, que não reconhece o regime de Micheletti, também assinalou que desconhecerá o novo governo que surja das eleições, se Zelaya não for restituído ao poder. Zelaya assumiu a Presidência de Honduras em 27 de janeiro passado para um período de quatro anos.

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