Protesto regional paralisa Constituinte boliviana

Uma paralisação na cidade de Sucre (sulda Bolívia), a segunda em uma semana, levou na quinta-feira àsuspensão por prazo indeterminado das deliberações daAssembléia Constituinte, que tem menos de três meses de prazopara aprovar a nova Carta. A presidente da Constituinte, Silvia Lazarte, uma camponesagovernista, disse em Sucre que só convocará novas sessões"quando houver garantias para o normal funcionamento daAssembléia, sem pressões de nenhum tipo." Sucre, sede da Constituinte e capital legal da Bolívia,exige que a nova Constituição lhe transforme em sede dosPoderes Executivo e Legislativo, que atualmente funcionam em LaPaz, reduto eleitoral do presidente Evo Morales. Os protestos dos sucrenses, inclusive com choques entremanifestantes e policiais em torno do teatro onde aConstituinte delibera, se intensificaram desde que a assembléiaresolveu, há oito dias, retirar da sua pauta o tema da sede dogoverno, para evitar mais confrontos regionais. Jaime Barrón, reitor da universidade pública local e líderdas mobilizações, rejeitou a acusação do governo de que suacausa estaria sendo impulsionada pela oposição de direita. Deacordo com ele, a mudança da sede do governo é "antes de maisnada uma reivindicação democrática". O prefeito de La Paz, o governista Juan del Granado,interveio no debate na quinta-feira, propondo que aConstituinte se transfira temporariamente para outra cidade. A suspensão das sessões ocorre um dia depois de uma batalhacampal entre deputados favoráveis e contra uma autorização parao julgamento de vários membros do Tribunal Constitucional. Morales propôs o processo de prevaricação contra os juízespor terem suspendido, em maio passado, quatro magistrados daCorte Suprema que ele havia nomeado por decreto durante umrecesso do Congresso. A alta tensão política, com governistas e opositores seacusando de buscar uma ruptura da ordem democrática e até umadivisão do país, forçou também o adiamento por uma semana deuma sessão do Congresso convocada para designar os novosmembros do Tribunal Constitucional.

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