Protestos dividem Bolívia ao meio; país decreta luto oficial

A Bolívia foi dividida aomeio por protestos e bloqueios de estrada na sexta-feira, umdia depois de oito pessoas terem morrido em choques entreadversários e simpatizantes do presidente do país, oesquerdista Evo Morales. O presidente e o governador de Tarija, que abriga a maiorparte das imensas reservas de gás natural do país, acertaramreunir-se na sexta-feira para negociar o fim de quatro dias deconfrontação que ainda deixaram dezenas de pessoas feridas. No entanto, três outros governadores contrários às reformasde cunho socialista defendidas por Morales negaram-se aconversar e culparam o presidente pela onda de violência e pelasituação caótica instalada no setor boliviano de gás natural, amaior fonte de receitas do país. A Bolívia, a nação mais pobre da América do Sul, e os EUAexpulsaram os embaixadores um do outro na quinta-feira depoisde Morales ter acusado o governo norte-americano de dar apoioaos movimentos da oposição. Os governadores direitistas do leste boliviano rebelaram-secontra o popular presidente, exigindo autonomia e rejeitando osplanos dele sobre reformar a Constituição e distribuir terrapara os pobres. O vice-presidente do país, Alvaro Garcia, declarou umperíodo de luto nacional de 24 horas pelas oito mortesocorridas no Departamento de Pando. A maior parte dos mortoseram agricultores pró-Morales que, segundo o governo, foramassassinados por pessoas ligadas a políticos da oposição. "Exigimos que esses golpistas mudem de atitude, queobedeçam à lei e que obedeçam à democracia", disse Garcia nanoite de quinta-feira. Segundo o vice-presidente, o governo garantiria adistribuição de energia e comida para todos os bolivianosapesar dos bloqueios nas estradas que estão dificultando otransporte de mercadorias na parte leste do país. Países vizinhos da Bolívia manifestaram preocupação com apossibilidade de os grupos oposicionistas tentarem deporMorales, que sobreviveu a um referendo de confirmação demandato realizado em agosto, obtendo então o apoio de 67 porcento dos eleitores. O dirigente é o primeiro de origem indígena a comandar opaís e prometeu realizar uma transformação socialista. Aoposição mais acirrada vem da parte mais rica do país (leste),controlada pelas elites descendentes em sua maioria doseuropeus. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que fariaqualquer coisa para defender Morales, incluindo recorrer àforça. Em um gesto de apoio à Bolívia, o líder venezuelanoexpulsou o embaixador norte-americano de Caracas, gesto que foiseguido por Washington. A Argentina e o Brasil disseram que não tolerarão qualquertentativa de golpe contra o governo boliviano e oferecerammediar as eventuais negociações entre os dois lados emconflito. Jornais bolivianos, no entanto, informaram na sexta-feiraque Morales havia pedido aos países vizinhos para não enviaremainda delegações ao país. O presidente deseja tentar resolver asituação internamente. Não obstante o governo ter mobilizado soldados paraproteger os gasodutos e as estações de bombeamento, policiais emilitares deixaram as ruas de Santa Cruz, foco da oposição aMorales, depois de terem sido atacados por manifestantes. Atos de sabotagem feitos contra válvulas e gasodutosobrigaram a Bolívia a suspender temporariamente o envio de gáspara o Brasil, na quinta-feira. As exportações para a Argentinacontinuavam paralisadas na sexta-feira. Os grupos de oposição invadiram os prédios do governo nacidade de Santa Cruz, maior cidade do leste boliviano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.