Protestos impedem reabertura da Constituinte na Bolívia

Estudantes e líderes civis reivindicam inculsão de artigo que determine o retorno da capital à cidade

Carlos A. Quiroga, Reuters

06 de setembro de 2007 | 16h13

Uma nova onda de protestos e a ameaça de choques entre estudantes e camponeses na cidade de Sucre, no sul da Bolívia, impediram nesta quinta-feira, 6, a reabertura da Assembléia Constituinte boliviana, cujos trabalhos estão paralisados. Dirigentes cívicos e estudantis de Sucre, mobilizados pela reivindicação de que a sede do governo nacional seja transferida de La Paz para a cidade, disseram que não vão permitir as deliberações da assembléia se o tema da capital do país não for incluído no debate sobre o texto constitucional.       Reunidos no Comitê Interinstitucional pela "Capitalidade Plena", os manifestantes afirmam que mais de cem pessoas tiveram quer ser atendidas em hospitais da cidade após o embate com a polícia. A assembléia, que funciona em Sucre há pouco mais de um ano, e tem até dezembro para concluir seu trabalho, está paralisada desde o dia 15 de agosto, quando resolveu tirar da agenda de discussões o tema da sede do governo.A crise da Constituinte ameaça impedir a concretização da principal promessa política do presidente Evo Morales, de "refundar" a Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, com uma Constituição que dê mais poder aos povos indígenas e consolide sua política de nacionalização da economia."O mais importante agora é dar plenas garantias a cada um dos constituintes, que a participação nas plenárias não signifique pôr em perigo suas vidas, e que as sessões plenárias se realizem num clima de tranquilidade," disse o primeiro vice-presidente da assembléia, o governista Roberto Aguilar."Lamentavelmente, neste momento essas garantias não existem em Sucre", acrescentou ele à rádio Erbol. Existia a possibilidade de a assembléia ser transferida para outra cidade. Capital constitucional Embora Sucre seja a capital da Bolívia, a Constituição atual determina que La Paz abrigue os Poderes Executivo e Legislativo, o que sempre revoltou os sucrenhos.O governo, que vinha evitando se pronunciar no debate, acusou a oposição de fomentar a reivindicação de Sucre. "Estão provocando a polícia, querem vítimas e que a assembléia acabe", disse o ministro de Governo, Alfredo Rada.Para Rada, também faz parte da "conspiração" a conclamação dos comitês cívicos de seis dos nove departamentos da Bolívia pelo início de um movimento de greve de fome em apoio a Sucre a partir de 10 de setembro.Os comitês cívicos vêm atuando nos últimos meses como principal força de oposição ao governo de Evo, que em seus quase 20 meses de gestão nacionalizou os hidrocarbonetos e decretou uma grande reforma agrária. Ele enfrenta a oposição principalmente de Santa Cruz, reduto oposicionista.

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