Protestos na Bolívia deixam 3 mortos; aumenta tensão com EUA

Intensificaram-se na quinta-feira osprotestos violentos contra o governo da Bolívia, deixando aomenos três mortos e dezenas de feridos. As manifestações aindacriaram problemas para o setor de gás natural do país eaumentaram as tensões com os Estados Unidos. Na cidade de Santa Cruz (leste), um reduto de gruposcontrários às reformas esquerdistas do presidente Evo Morales,os manifestantes ocuparam prédios do governo pelo terceiro diaconsecutivo. Entre esses prédios incluíam-se a do canal públicode TV, o do escritório da reforma agrária e o da receitafederal. Várias pessoas ficaram feridas quando manifestantes pró eanti Morales enfrentaram-se com paus e pedras nas províncias dePando e Tarija, ambas também localizadas na região leste daBolívia, uma área relativamente rica que pretende obter maisautonomia do governo central. Em Pando, conflitos entre partidários do governo eoposicionistas deixaram pelo menos três mortos e vários feridosem uma região rural. O vice-ministro de Regime Interior, Rubén Gamarra, disse emcoletiva de imprensa que dois dos mortos eram camponesespró-governo que foram "atacados com armas de fogo" porfuncionários do governo de Pando, de oposição, e que a terceiravítima era um funcionário do governo do departamento. Também foram reportados dezenas de feridos na cidadeoriental de Santa Cruz e em Tarija, no sul do país, onde nosúltimos dias ocorreram ocupações de prédios do governo econflitos entre "autonomistas" e partidários de Morales. O presidente culpou o embaixador norte-americano no país,Philip Goldberg, pela escalada dos protestos e ordenou naquarta-feira que o diplomata deixasse o país. "O embaixador dos EUA está conspirando contra a democraciae quer que a Bolívia se esfacele", afirmou Morales, um ex-líderde plantadores de coca que subiu ao poder em 2006,transformando-se no primeiro presidente boliviano de origemindígena. O Departamento de Estado norte-americano descreveu aexpulsão de Goldberg como um "erro grave" e disse que asrelações entre os dois países estavam "seriamentecomprometidas". O embaixador ainda se encontrava na Bolívia naquinta-feira, mas um porta-voz em Washington disse que ele devedeixar o país em breve. GÁS PARA O BRASIL O ministro Luis Arce (Finanças) disse que o Exércitoenviaria mais soldados para os campos de extração de gásnatural e para a fronteira com o Brasil após um ataque contraum gasoduto ter obrigado a Bolívia a diminuir pela metade aremessa de gás aos brasileiros. O ataque teria sido realizadopor manifestantes antigoverno. A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul e suaeconomia depende do seu grande setor de gás natural. O Brasil éo maior investidor estrangeiro presente no território bolivianoe metade do gás consumido pelo brasileiros vem da Bolívia. O Brasil disse estar analisando medidas de emergência pararesponder à queda na remessa de combustíveis. Indústrias efábricas do Sudeste brasileiro recebem o gás natural boliviano. LUTA PELO PODER O conflito na Bolívia envolve uma luta de poder entreMorales e os governadores de províncias do leste e do centro dopaís, áreas que possuem grandes reservas de gás natural eterras férteis. Desde que tomou posse, Morales vem canalizando uma partemaior dos recursos oficiais para a população pobre e indígenado oeste do país. Os indígenas formam a maioria da populaçãoboliviana. No começo desta semana, jovens pertencentes a um grupo deprotesto que se parece com uma milícia invadiram prédios dogoverno. O grupo chama-se Juventude de Santa Cruz. Os manifestantes destruíram documentos e materiais deescritórios. Agora recusam-se a deixar os prédios e afirmam queessas construções não pertencem mais ao governo central. Apesar de Morales ter intensificado a presença das forçasmilitares nas instalações de gás natural, os soldados foramretirados do centro de Santa Cruz depois de vários deles teremsido espancados diante das câmeras de TV, no começo destasemana.

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