Protestos se agravam na Bolívia e deixam 8 mortos

A Bolívia chegou à beira do caos naquinta-feira, em meio às violentas manifestações da oposiçãocontra os projetos socialistas do governo. Pelo menos oitopessoas morreram, dezenas ficaram feridas, e as exportações degás para o Brasil e a Argentina foram afetadas. O presidente Evo Morales advertiu que poderá deixar deescutar os apelos de prudência diante do que descreveu como"atos de delinqüência financiados por latifundiários do leste",enquanto o embaixador brasileiro, Rene Dorfler, disse que LaPaz pode decretar estado de sítio. Na véspera, Morales determinou a expulsão do embaixadornorte-americano em La Paz, Philip Goldberg, a quem acusou detramar um golpe em conjunto com a oposição conservadora, queexige mais autonomia para as ricas províncias do lesteboliviano. Os EUA responderam declarando o embaixador boliviano,Gustavo Guzmán, como "persona non grata". As relações entre osdois países já eram tensas devido ao apoio de Morales aogoverno socialista da Venezuela. O Brasil, com apoio da Argentina, decidiu enviar a La Pazuma delegação que tentará mediar o conflito. A ComunidadeAndina, da qual a Bolívia é parte, pediu esforços contra aviolência. Um atentado contra uma estação de bombeamento de gásobrigou o consórcio operador do principal gasoduto do país, queinclui a Petrobras, a francesa Total e a espanhola Repsol, areduzir o abastecimento de gás ao Brasil pela metade durantesete horas. Enquanto isso, a ocupação de uma estação de outro gasodutoobrigou a estatal local YPFB a suspender totalmente o envio degás à Argentina. O gás boliviano, principal fonte de ingressos do país,representa a metade do consumo desse combustível no Brasil,sendo que responde por 70 por cento da demanda de São Paulo. Em visita a Brasília, o ministro boliviano da Fazenda, LuisArce, disse que as Forças Armadas se mobilizaram para recuperarpostos alfandegários na fronteira com o Brasil, ocupados hádias por manifestantes. A oposição ampliou seus protestos depois da expressivavitória de Morales num referendo que ratificou o seu mandato, oque lhe deu força política para tentar acelerar a aprovação deuma nova Constituição. O governo informou que oito pessoas morreram e 34 ficaramferidas no Departamento de Pando (norte), numa emboscada contraum grupo de camponeses que ia a uma assembléia, crimesupostamente cometido por seguidores do governador local, que éde oposição. "Estamos falando de um verdadeiro massacre que temresponsável, o prefeito [governador] de Pando, LeopoldoFernández", disse a jornalistas o vice-ministro de Coordenaçãocom Movimentos Sociais, Sacha Llorenti. Também houve dezenas de feridos em Santa Cruz (leste) eTarija (sul), onde nos últimos dias manifestantes autonomistasocuparam prédios públicos e entraram em choque com seguidoresdo governo. (Com reportagem adicional de Fabián Cambero em Caracas eJulio Villaverde no Rio de Janeiro)

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