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Prova de vida mostra reféns das Farc com corrente no pescoço

Alguns dos oficiais sequestrados que aparecem em vídeo estão há mais de 11 anos em poder da guerrilha

08 de setembro de 2009 | 09h21

O Exército colombiano afirmou na segunda-feira, 7, que confiscou um vídeo que dá provas de vida de dez reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Alguns dos militares e policiais que aparecem nas imagens foram capturados há mais de 11 anos pela guerrilha. Eles aparecem acorrentados e com um fundo camuflado.

 

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O vídeo - o segundo do tipo divulgado em uma semana - teria sido gravado pelos rebeldes e foi transmitido por algumas redes de televisão na Colômbia. Os prisioneiros parecem cansados e pálidos. A fita mostra os reféns falando diretamente para as famílias e um deles diz que está em boa saúde. Outro pede aos familiares que não o esqueçam.

 

O governo colombiano demonstrou consternação com as "lamentáveis condições" em que estão os policiais e militares sequestrados. "Os vídeos constituem uma prova do tratamento cruel que os terroristas das Farc dão aos sequestrados", sustentou a mensagem do governo, lida pelo comandante do Exército, Óscar González. As imagens comprovam ainda as "péssimas condições físicas e mentais em que as Farc mantêm os quatro membros do Exército Nacional e os seis policiais, presos a grossas correntes e cadeados em torno do pescoço".

 

Pelas imagens, foi possível identificar os sargentos do Exército Luis Moreno (Chagueza), Robinson Salcedo (Guarín), Luis Arturo García e Luis Alfonso Beltrán. Também houve reconhecimento dos sargentos da Polícia Jorge Romero, José Forero Carrero, César Lasso Monsalve, e os intendentes Wilson Rojas, Carlos Duarte e Jorge Trujillo, todos em poder das Farc há mais de uma década.

 

Armazenado em um pen drive, o vídeo foi localizado com um rebelde, identificado como Ramiro Valbuena Ospina, que foi detido no sábado e libertado nesta segunda-feira. Ele assegurou que não sabia sobre o conteúdo do equipamento. Antes de ser divulgado à imprensa, o material foi apresentado aos familiares dos reféns.

 

As Farc mantêm dezenas de reféns, entre eles cerca de 23 oficiais, considerados "prisioneiros políticos" da guerrilha, os quais querem usar como moeda de troca em um possível acordo com o governo para a libertação de guerrilheiros presos. O presidente Álvaro Uribe, no entanto, se recusa a negociar com a guerrilha e insiste na ideia de que pode derrotá-la militarmente.

 

Em fevereiro, as Farc libertaram o ex-deputado colombiano Sigifredo López, completando o resgate dos seis reféns que a guerrilha prometeu libertar, unilateral e incondicionalmente, a partir de meses de negociações com o movimento Colombianos pela Paz.

 

Esta é a segunda mensagem das Farc interceptada pelo Exército desde novembro de 2007, quando os serviços de inteligência prenderam em Bogotá duas mulheres e um homem com vídeos de diversos reféns, nos quais aparecia, entre outros, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt. A franco-colombiana foi resgatada em 2 de julho de 2008 em uma operação que reuniu militares colombianos e americanos.

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