Provas de vida de reféns provocam indignação na Colômbia

Seqüestrados das Farc enviaram cartas contando os sofrimentos por que passam; relato sensibilizou o país

LUIS JAIME ACOSTA, REUTERS

16 de janeiro de 2008 | 15h22

As provas de vida de oito reféns em posse da guerrilha colombiana, que contam as condições cruéis a que eles são submetidos no meio da selva, provocaram indignação num país acostumado a suportar a violência e os rigores do conflito interno.   Veja também:    Lula diz que seqüestro é 'abominável' e compara PT às Farc Cartas de reféns revelam drama nos cativeiros das Farc Uribe pode mudar status das Farc como terroristas Saiba quem são as reféns Entenda o que são as Farc Cronologia: do seqüestro à libertação  Os sequestrados pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) enviaram cartas e fotos, contando os sofrimentos por que passam. O relato sensibilizou o país inteiro. A maioria dos reféns, principalmente os integrantes do Exército e da polícia, é mantida com correntes no pescoço e presos a árvores no meio da floresta. Muitos colombianos choraram na terça-feira ao ouvir o que as cartas descreviam, na voz entrecortada de mulheres e filhos dos reféns diante das câmeras de TV. "É muito cruel porque eles os mantêm na selva, acorrentados, passando dificuldade, para mim não é justo. Sequestrar uma pessoa é desumano", disse à Reuters Yesica Estrada, 28, que trabalha num café de Bogotá e que contou ter chorado ao ouvir os testemunhos dos reféns. As provas de vida foram trazidas pela ex-parlamentar Consuelo González, libertada pelas Farc na semana passada junto com a ex-candidata à vice-presidência do país, Clara Rojas. Entre os reféns que mandaram cartas e fotos estão o coronel Luis Mendieta, o ex-senador Jorge Eduardo Gechem e o ex-governador do Departamento de Meta Alan Jara. "Não são provas de vida, são provas de sobrevivência. Eles estão apodrecendo na selva, estão quase mortos. Só o pensamento em suas famílias os mantém vivos", afirmou Andrés Felipe Caicedo, 32, administrador de empresas. As Farc mantêm um grupo de mais de 40 reféns por motivos políticos, entre eles a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, e quer trocá-los por cerca de 500 guerrilheiros presos. Mas as posições inflexíveis da guerrilha e do governo vêm atravancando as negociações, e há reféns que estão há mais de dez anos em cativeiro. (Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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