Província de Buenos Aires, a jóia das eleições argentinas

A Província de Buenos Aires é ajóia eleitoral da Argentina, uma chave que abre as portas daPresidência do país -- e, a nove dias das eleições, aprimeira-dama e candidata governista Cristina Fernández deKirchner parece tê-la nas mãos. Uma região historicamente fiel ao peronismo --bloco do qualCristina faz parte--, a Província abriga em seu imensoterritório 38 por cento da população argentina e serve comomostruário de riqueza, com grandes latifúndios, e de miséria,nos grandes bolsões de pobreza e desigualdade. À medida que se aproxima a data da eleição, os candidatospercorrem a área do cordão urbano que circula Buenos Aires e noqual há municípios com mais habitantes do que várias Provínciasdo país somadas. Nessa corrida febril, Fernández, mulher do atual presidenteargentino, Néstor Kirchner, conta com uma ampla vantagem. O peronismo nunca perdeu na Província em 20 anos e, como seisso não fosse suficiente, o vento da economia continuasoprando a favor após o país registrar durante quase cinco anostaxas de crescimento de 8 por cento ao ano, atraindo os votosde centenas de milhares de pessoas que hoje contam com algumtipo de emprego. "Depois de muitos anos, estamos conseguindo trabalho. Hoje,se percebe que há mais trabalho", afirmou Esther de López, 45,militante peronista da Ciudad Evita, um bairro populoso dacapital. Para Hugo Haime, da empresa de consultoria que leva o nomedele, "é quase uma obviedade demográfica o fato de que quemvence na Província de Buenos Aires tende a vencer a eleiçãopresidencial". A Argentina possui 40 milhões de habitantes, dos quais 27milhões estão aptos a votar. E a Província de Buenos Airesresponde por 10 milhões de eleitores. "Esse votos são fundamentais para o resto do país",acrescentou Haime, que prevê uma folgada margem de votos paraCristina tanto na Província como nacionalmente. Segundo oanalista, a única coisa que resta a saber é o montante de votosa ser conquistado pela oposição. TESOURO POLÍTICO Cristina, que se tornou conhecida antes de seu maridodevido a seus discursos inflamados no Senado, deve conquistar aPresidência argentina com uma vantagem de cerca de 8 milhões devotos, segundo as pesquisas. No entanto, apesar dessa folga, a candidata continuarealizando comícios no chamado cinturão urbano de Buenos Aires,sem se esquecer do distrito que contribuiu para que Kirchnerobtivesse 44 por cento dos votos em 2003 e que chegasse aopoder. Se Buenos Aires é um tesouro político, sua peça maiscobiçada é o município de La Matanza, onde a senadora jáinformou que pretende encerrar sua campanha. Nesse local, aglomeram-se 1,3 milhão de moradores, a poucosminutos do centro de Buenos Aires, um mundo habitadomajoritariamente pelas classes altas e médias, amantes dastradições européias. "Em La Matanza, as obras do governo realizadas por NéstorKirchner nesses últimos quatro anos são obras históricas, obraspelas quais aguardávamos havia 30 anos", afirmou o prefeito domunicípio, Fernando Espinoza, que tenta conquistar um novomandato. Com uma foto de Evita na parede de seu gabinete, Espinozaexplica desta forma os altos índices de popularidade deCristina Fernández no populoso município: "O peronismo está nosangue". (Reportagem adicional de Helen Popper)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.