Províncias bolivianas articulam estatuto autônomo contra Evo

Governadores de seis Departamentos garantem que 'desobediência civil' contra governo começa no sábado

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2007 | 08h55

Após a manobra parlamentar que aprovou o texto da futura Constituição da Bolívia, os governadores dos cinco Departamentos opositores ao governo de Evo - Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Cochabamba - apresentaram suas posições oficiais contra o que chamam de imposição do governo. Segundo o jornal boliviano La Razon, líderes de mais de dois terços do país afirmaram que seus estatutos autônomos de governo entrarão em vigor no próximo sábado, dia 15 de dezembro.   Veja também: Nova Constituição dá direito a apenas uma reeleição   O texto foi aprovado cinco dias antes da data-limite para a entrega do projeto, na sexta-feira. O presidente da Bolívia, Evo Morales, havia antecipado, de surpresa, na noite de sábado, a votação final do texto, que depois da aprovação geral obtida em Sucre ainda precisava ser votado artigo por artigo. O projeto será submetido a uma consulta popular, em data a ser definida. Se aprovada, espera-se que a nova Carta passe a vigorar já no segundo semestre de 2008.   O governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, afirmou que os Departamentos opositores já definiram suas ações contra a nova Constituição. "Os estatutos autônomos serão socializados e serão seguramente aplicados a partir do dia 15. O presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branko Marinkovic, assegurou que os Estados terão o próprio estatuto e sua autonomia. "Não vamos nos basear em uma Constituição feita com armas e manchada de sangue".   Segundo o governador do Departamento de Santa Cruz, Rubén Costas, o estatuto é uma resposta negação ao presidente. "Dizemos não para esta imposição. Não, por atentar contra a unidade nacional. Não, por ser racista e excludente. Não, por pretender o domínio e a colonização territorial, cultural e econômica."   Costas assegurou também que a nova Constituição manipula o voto soberano e fere a antinomia departamental por ser um instrumento para a destruição das liberdades básicas. Ele ainda convocou a organização de estudantes, universitários, intelectuais e trabalhadores para um protesto que "assuma a resistência pela defesa dos direitos e a consolidação da autonomia departamental".   Entre os mais de 400 artigos aprovados, estão a reforma do Legislativo, a criação das autonomias departamentais e indígenas, a eleição de juízes por voto universal, o estabelecimento de um forte controle estatal sobre a economia e uma única reeleição presidencial. "Acusaram-nos de buscar a reeleição indefinida, mas agora mostramos que não as coisas não são assim", disse Evo. A Constituinte não votou um artigo sobre a distribuição de terras, deixando a decisão sobre o tema para um plebiscito a ser realizado antes do referendo constitucional.

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