Ariana Cubillos/AP
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Punto Fijo, na Venezuela, tenta voltar à normalidade sob fumaça de Amuay

Explosão na refinaria já deixou pelo menos 41 mortos; focos de incêndio ainda persistem no local

EFE

26 de agosto de 2012 | 19h40

Sob uma espessa coluna de fumaça que sobe do Centro de Refinación Paraguaná (CRP), os habitantes da cidade venezuelana de Punto Fijo tentam retomar neste domingo, 26, a normalidade, enquanto as autoridades ainda trabalham para apagar o incêndio na refinaria de Amuay.

As principais vias adjacentes à maior usina do mundo no setor permanecem fechadas e sob a guarda de militares e policiais,enquanto se contabilizam os danos nas áreas vizinhas, devastadas por uma explosão provocada na madrugada de sábado por um vazamento de gás que já deixou pelo menos 41 mortos.

O impacto mais forte aconteceu em casas e locais situados em frente à área dos tanques, que foi atingida por uma onda expansiva de ar que destruiu janelas, tetos e até derrubou muros, segundo constatou a Agência Efe.

Nas proximidades da refinaria de Amuay, uma das três do Centro Refinador e onde se registrou, segundo disseram habitantes da região à Efe, a maior emergência ocorrida nessa usina desde que iniciou operações, os moradores do bairro Alí Primera recolhiam os escombros das casas, móveis e utensílios enquanto outros saíam, por medo.

Seus habitantes se refaziam do susto e da dor dos danos em suas casas, de onde, apesar dos feridos, todos saíram vivos.

Mulheres, crianças e homens contavam histórias do sucedido enquanto ficavam atentos a ligações telefônicas ou qualquer anúncio para deixar o lugar, situado a poucos metros do centro refinador e de onde se viam muito de perto as chamas que ainda consomem parte do combustível armazenado nos tanques afetados pelo acidente.

Nessa área, pelo menos 150 famílias reportaram "que sofreram danos", explicou a jornalistas o secretário do Poder Popular para as Comunas do estado Falcón, Wilmer Guerrero, que visitou a região como parte de uma comissão de autoridades locais.

Paralelamente, o governo segue concentrado nos trabalhos de extinção do incêndio que deixou a explosão e que ainda continua encontrando alimento em dois tanques de gasolina do centro industrial.

O vice-presidente executivo venezuelano, Elías Jaua, indicou em uma comunicação divulgada pelo canal estatal "VTV" que o fogo persiste depois que ontem à noite um "vento irregular" dificultou as operações de extinção.

"O incidente acontece no extremo sul da refinaria, neste momento (...) o incêndio está confinado a somente dois dos nove tanques da área", informou o ministro do Petróleo, Rafael Ramírez, presente no pronunciamento com Jaua.

"Dois tanques continuam queimando e continuamos com os trabalhos de resfriamento", acrescentou.

O gerente de refino do CRP, Jesús Luongo, afirmou que os tanques afetados são de gasolina e "não significam um problema" para a segurança do resto da refinaria.

Luongo explicou que ontem à noite uma mudança do vento na região os obrigou a retirar as equipes de bombeiros e perdeu-se "todo o esforço que se havia feito".

"Foi como dizer 'vamos começar do zero' do ponto de vista de poder apagar o incêndio", descreveu.

"Na pior das hipóteses, se não conseguirmos apagar, estaremos a dois dias de (o combustível) se consumir em sua totalidade, mas isso não significa nenhum risco para o resto dos setores", assinalou o gerente do CRP.

Ramírez voltou a reiterar hoje que a refinaria voltará à ativa 48 horas depois que o fogo for extinto, já que a área de operações não foi afetada e se encontra completamente normal.

Além disso, garantiu que não haverá problemas de escassez de gasolina para o consumo interno, já que a Venezuela tem dez dias de estoques de produtos, o que equivale a 4 milhões de barris de vários combustíveis.

De acordo com o último relatório de mortos, divulgado ontem à noite, a explosão deixou 41 mortos, a maioria de membros da Guarda Nacional e seus familiares, que se encontravam nas instalações do Destacamento 44, que faz a segurança da refinaria.

O governo informou que pelo menos 86 pessoas precisaram receber algum tipo de atendimento médico e que quase todos já receberam alta, exceto 18 feridos que seguem internados em hospitais de Punto Fijo e Maracaibo.

O candidato opositor à Presidência, Henrique Capriles, anunciou a suspensão de suas atividades de campanha de hoje e conclamou os venezuelanos a se "unir para superar as dificuldades".

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