Queiroz Galvão fará reparos em rodovia boliviana 'sem culpa'

Feita com cimento, estrada apresenta rachaduras; construtora não está em conflito com governo, diz advogado

Alberto Komatsu, de O Estado de S. Paulo,

17 de outubro de 2008 | 19h05

O advogado da construtora brasileira Queiroz Galvão afirmou nesta sexta-feira, 17, que os problemas de fissura na rodovia Tarija-Potosi, ao sul da Bolívia, ocorreram devido ao tipo de material escolhido para a pavimentação. "O projeto apresentou deficiência porque não previa o altiplano boliviano, que tem variações de temperatura no mesmo dia de até 30ºC", disse Alberto Sanz Sogayar, que revelou que a empresa deseja fazer os reparos na obra "sem reconhecimento de culpa". Ele negou que a Queiroz Galvão esteja em conflito com o governo da Bolívia ou que tenha sido informada de qualquer intenção do presidente Evo Morales de expulsar a empresa do país.   Veja também: Crise entre Equador e Odebrecht ameaça venda de Supertucanos para Quito Lobão não acredita que Equador expulsará Petrobras do país   De acordo com o advogado, a estrada foi feita com cimento, um tipo de pavimento mais rígido, sendo que o ideal seria asfalto, mais flexível. Três gerentes da construtora que trabalhavam na Bolívia estão no Rio para discutir o futuro do projeto naquele país. Segundo Sogayar, esses funcionários não fugiram com medo de serem presos e vão voltar assim que necessário. A empresa tem mais cerca de 70 empregados no país andino, mas todos bolivianos. A rodovia apresenta fissuras em 70% dos 219 quilômetros já construídos e o valor dos reparos está orçado em US$ 45 milhões.   Ainda de acordo com o advogado, há cerca de 15 dias foi entregue uma proposta para a Administradora Boliviana de Estradas (conhecida na sigla em espanhol como ABC) mas até agora não houve resposta. A Queiroz Galvão contratou a consultoria Applied Research Associates (ARA) para fazer a projeto de reparos e calcular o valor necessário para concluir a obra, a partir de valores estabelecidos no contrato inicial, assinado no final de 2003. "Sempre acreditamos nas instituições bolivianas. Nossa intenção permanece a mesma, de continuar o projeto", disse Sogayar.   Em setembro de 2007, o governo boliviano rescindiu o contrato e seqüestrou os equipamentos da empresa, avaliados em US$ 20 milhões. As negociações prosseguiram e, em maio de 2008, foi assinado um aditivo do contrato no qual a Queiroz se compromete a fazer os reparos sem repassar os custos, mas não reconhece a culpa pelos problemas. Não houve resposta das autoridades bolivianas desde então, alega a empresa.   O valor inicial do contrato era de US$ 156 milhões, mas foi elevado para US$ 198 milhões após a assinatura do aditivo. Após a empresa ter contratado a consultaria ARA, informou à boliviana ABC que o valor para a continuidade da rodovia com nova especificação seria de US$ 271 milhões.

Tudo o que sabemos sobre:
BolíviaQueiroz Galvão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.