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Quem violou a lei não pode voltar ao poder, afirma Micheletti

Em primeiras declarações desde término de diálogo, líder de fato de Honduras diz que não adiantará eleições

20 Julho 2009 | 17h04

O presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, disse nesta segunda-feira, 20, que quem "rompeu a Constituição" não pode voltar ao poder, em alusão ao presidente deposto José Manuel Zelaya. Em suas primeiras declarações desde o término sem acordo das negociações na Costa Rica para tentar resolver a crise política no país, ele afirmou que as eleições não serão adiantadas, e que seguirá no poder até janeiro de 2010.

 

"Em 29 de novembro haverão eleições livres e transparentes nesse país", disse Micheletti, acrescentando que em "27 de janeiro de 2010 entregará o poder a um cidadão que o povo escolheu como presidente". O presidente costarriquenho, Oscar Arias, que estava mediando o diálogo entre as partes, prometeu implementar novos esforços ao longo dos próximos três dias em busca de novas opções. "Não foi possível chegar a um acordo satisfatório. A delegação do presidente Zelaya aceitou integralmente minha proposta. O mesmo não aconteceu com a delegação do senhor Roberto Micheletti."

 

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Ele disse que utilizaria as 72 horas seguintes realizando consultas diplomáticas para vislumbrar uma alternativa e depois levantou a questão: "Qual é a alternativa ao diálogo? Talvez assim, com este esforço, possamos evitar um derramamento de sangue". Horas depois, em Manágua, Zelaya concedeu entrevista coletiva na qual reconheceu o fracasso das negociações e responsabilizou o governo provisório

de Micheletti pela manutenção do impasse.

 

Zelaya acusou seus opositores de terem "feito pouco" dos esforços de Arias e pediu que a comunidade internacional aumente a pressão sobre o governo interino que o sucedeu após destituí-lo em 28 de junho. "A comunidade internacional enfrenta um dilema", disse o líder deposto, na Embaixada de Honduras na capital nicaraguense. "Há 20 anos pediu-se aos movimentos guerrilheiros que entregassem suas armas. Agora os conservadores voltam e pegam em armas para derrubar esquerdistas que tentavam promover um processo de reforma."

 

PLANO

 

Pela proposta de Arias, laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1987 por seu papel na negociação do fim das guerras civis centro-americanas, Zelaya cumpriria os meses que restam de seu governo, as eleições gerais seriam realizadas em outubro e haveria uma anistia geral. O governo Micheletti aceitou parcialmente o plano, mas rejeitou especificamente a cláusula que previa a restauração de Zelaya no poder e apresentou uma contraproposta segundo a qual o presidente deposto retornaria como cidadão comum e seria levado à justiça.

 

A Suprema Corte de Honduras emitiu um mandado de prisão contra Zelaya depois de declarar ilegal um plebiscito convocado por ele na tentativa de estabelecer uma Assembleia Constituinte sobre um segundo mandato presidencial, o que atualmente é proibido no país. O líder deposto, um rico fazendeiro eleito com uma plataforma de direita e que realizava um governo de esquerda em Honduras, promoveu o plebiscito argumentando que a atual Constituição do país protege um sistema que exclui os pobres.

 

Os EUA, as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA) exigem o retorno de Zelaya. Até o momento, nenhum país reconheceu o governo que assumiu após a deposição. A OEA está reunida nesta segunda para tentar ampliar a pressão contra Micheletti.

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