Radioterapia de Chávez em Cuba coincidirá com visita do papa

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, iniciará neste domingo em Havana a primeira rodada de sessões de radioterapia para combater o câncer, cumprindo um tratamento que poderá debilitá-lo num momento em que enfrenta uma dura campanha para as eleições presidenciais de outubro.

REUTERS

25 Março 2012 | 12h04

Chávez viajou para Havana dois dias antes da chegada do papa Bento 16 a Cuba, procedente do México. Antes de ir à ilha, o papa declarou que o comunismo não funciona em Cuba e que a Igreja Católica está disposta a ajudar as autoridades a avançar rumo a novos modelos "sem trauma".

"Peço ao Deus dos exércitos, ao Deus de nós, os soldados, à Nossa Senhora do Vale, à Nossa Senhora do Carmo, (...) que tudo saia bem. Vou começar nas próximas horas a fase da radioterapia", disse Chávez em tom místico antes de tomar o vôo para Cuba.

Chávez afirmou que voltará ao país "nos próximos dias" e antecipou que estará "indo e vindo" de Cuba durante as cinco semanas de duração da radioterapia, um tratamento cujos efeitos colaterais poderiam limitar sua participação no dia-a-dia da política venezuelana antes da campanha eleitoral, que aparenta ser a mais dura desde que ele chegou ao poder, em 1999.

"Foi lá que diagnosticaram o câncer, foi lá que me operaram de emergência na primeira vez, e na segunda e depois na terceira. Avaliamos e tomamos a decisão (...) de prosseguir com o tratamento (em Cuba) e voltar em poucos dias", afirmou Chávez, de 57 anos, socialista e militar reformado.

Desde sua primeira cirurgia, em junho, para a extração de um tumor cancerígeno do tamanho de uma bola de beisebol, o presidente venezuelano vem considerando seu amigo Fidel Castro como seu "médico de cabeceira" pessoal.

Analistas acreditam que, além de seu estreito relacionamento com o ex-presidente cubano, a quem costuma chamar de pai, Chávez busque em Cuba obter mais privacidade e tranqüilidade, já que se nega a revelar os detalhes da doença.

ENCONTRO COM O PAPA

Na Venezuela, onde a falta de detalhes sobre a condição de Chávez ou sobre a sua agenda em Cuba tem desencadeado uma série de rumores, as redes sociais foram invadidas com mensagens apontando para uma reunião entre o presidente e o Papa.

(Reportagem de Mario Naranjo)

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