Raúl Castro admite que salários em Cuba são insuficientes

O presidente interino de Cuba, RaúlCastro, admitiu na quinta-feira que o nível atual dos saláriosno país não é suficiente para viver, e disse que o governo estálonge de cumprir os princípios socialistas que inspiraram arevolução na ilha meio século atrás. O general de 76 anos, que tem fama de pragmático e ocupa opoder há quase um ano, com o afastamento por motivo de saúde doirmão Fidel, afirmou que o governo provisório está analisandopossíveis mudanças estruturais na agricultura e a ampliação dosinvestimentos estrangeiros. "O salário ainda é claramente insuficiente para satisfazera todas as necessidades", disse ele num discurso em comemoraçãoao Dia da Rebeldia, na cidade de Camaguey. "Praticamente deixou de cumprir seu papel de assegurar oprincípio socialista de que cada um contribua com o que puder ereceba de acordo com seu trabalho." Ele deixou claro, porém, que a solução não é simples."Qualquer aumento de salário ou baixa dos preços, para que sejareal, tem de decorrer de uma produção ou prestação de serviçosmaior e mais eficiente." Raúl Castro pediu mais disciplina e eficiência paraaumentar a produção e reduzir a importação de alimentos. Eleusou como exemplo o leite. Cuba garante um litro diário deleite subsidiado a doentes e crianças com menos de 7 anos, masa população diz que isso não é suficiente. "Temos que tirar da cabeça essa história dos 7 anos.Estamos há 50 anos dizendo que até os 7 anos", disse Raúl,arrancando aplausos dos 100 mil espectadores. "Temos queproduzir leite para que se possa tomar leite sempre que sequeira um copo de leite ... Para ter mais, é preciso produzirmais, com um senso de racionalidade e eficiência." "Estamos estudando atualmente o que se refere aoinvestimento estrangeiro, sempre que contribua com capital,tecnologia ou mercado", disse Raúl Castro. O número deempreendimentos com participação de empresas estrangeiras caiude 392 em 2000 para 236 no final de 2006, devido àcentralização da economia, embora o montante de investimentos,de vendas e exportações tenha continuado a crescer. O presidente interino ressaltou que o governo tentaráaproveitar as melhores experiências, "trabalhando comempresários sérios e sobre bases jurídicas que não afetem osistema socialista." Nos últimos anos, Cuba priorizou parcerias com grandesinvestimentos estrangeiros no setor de energia e mineração,além de receber financiamento por parte de governos aliados,principalmente China e Venezuela. REUTERS CP

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