Raúl Castro afasta esperança de renovação em Cuba, diz 'NYT'

Jornal ressalta que quem está no poder pode não fazer diferença, já que Fidel ainda lidera o Partido Comunista

BBC Brasil,

25 de fevereiro de 2008 | 09h29

A eleição de Raúl Castro, o irmão mais novo de Fidel, para a Presidência de Cuba, "afasta as esperanças na ilha comunista de que uma geração mais jovem assuma o poder", segundo a edição desta segunda-feira, 25, do jornal americano The New York Times.   Cuba mantém velha guarda no poder Raúl deve adotar mudanças econômicas Raúl diz que reduzirá Estado e manterá consultas a Fidel Leia a cobertura completa sobre a sucessão de Fidel Após 49 anos, Fidel Castro renuncia à Presidência Raúl Castro torna-se guardião da revolução   "Em suas primeiras palavras como presidente, Castro deixou claro que não vai fazer mudanças radicais e prometeu consultar seu irmão em todos os assuntos importantes.". Mas para o NYT, a eleição, pela Assembléia Nacional, marca uma mudança na história cubana. "Pela primeira vez desde que Fidel Castro assumiu o poder em 1959 o governo está nas mãos de um líder diferente, um oficial militar pragmático a quem faltam o carisma e ego de Fidel. Raúl Castro tem a reputação de construir o consenso, um homem que ouve atentamente seus assessores, delega autoridade e mantém seus subordinados responsáveis por seus atos."   A reportagem comenta que Raúl Castro disse que o governo precisa de algumas mudanças para sobreviver à nova era, mas alerta que "outras ações da Assembléia garantiram que o poder continue nas mãos da velha guarda cubana" - em alusão a José Ramón Machado Ventura, de 76 anos, eleito um dos vice-presidentes e que tem reputação de comunista linha-dura fiel aos irmãos Castro.   O NYT afirma ainda que, segundo analistas, em certos aspectos, quem está à frente da Presidência de Cuba não faz a menor diferença. "Fidel Castro continua sendo o chefe do Partido Comunista, por lei a maior autoridade" em Cuba.   De Castro a Castro   Na Espanha, o jornal El País traz um editorial com título "De Castro a Castro", afirmando que "tudo hoje é diferente em Cuba apesar de muito pouco ter mudado". Para o El País, apesar da renúncia, Fidel continuará a ter papel ativo na tomada de decisões no país.   "Raúl fará, sem dúvida, mais do que dirigir o país sozinho no dia-a-dia… mas Fidel continuará acima, submetendo-se a terapias de reabilitação, velando pelo que considera o verdadeiro curso da revolução; e sempre com a mão no computador, transformado no colunista - do diário oficial Granma - mais famoso do planeta."   O editorial afirma que, com Raúl no governo e com Fidel ainda vivo, será difícil imaginar uma Cuba democrática, mas ressalta que "o futuro se constrói sobre o presente". "Nos Estados Unidos também haverá um novo presidente em janeiro de 2009, alheio às obsessões exteriores de George W. Bush, que poderá fazer uma revisão do meio século de fracasso do cerco norte-americano. Por isso, ainda que o ocorrido confirme mais do que anuncie, para Cuba, 24 de Fevereiro de 2008 pode ser um novo começo", conclui o editorial do El País.   'Camarada Fidel'   No Reino Unido, o jornal The Guardian afirma que, com a eleição de Raúl, Fidel "permanece o reverenciado, mas não mais onipotente, oráculo da revolução". O jornal ainda afirma que a nomeação de Raúl como sucessor era esperada, mas não a promoção de Ventura como um dos vice-presidentes.   O Guardian ainda comenta que não está claro qual será a influência de Fidel sobre o novo governo já que, apesar de manter a liderança do Partido Comunista e continuar a escrever os editoriais do Granma, ele mudou seu título de "comandante-chefe para camarada Fidel".   O jornal ainda lembra que Raúl parece defender algumas mudanças, mas ainda não teve a chance de colocá-las em prática. "Acredita-se que o presidente, que evita exposição pública, seja favorável à liberalização econômica no estilo chinês, para melhorar as condições de vida sem perder o controle político."   Mas o Guardian afirma que, desde que assumiu o governo interinamente, Raúl tentou realizar poucas reformas, "possivelmente porque puristas ideológicos do governo pisaram nos freios, argumentando que o apoio da Venezuela permitiria um retorno ao comunismo essencial".     Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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