Raúl Castro aproxima Cuba das Américas, diz chefe da OEA

O secretário-geral da Organizaçãodos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse nasegunda-feira que as mudanças implementadas por Raúl Castro emCuba abrem a possibilidade de restabelecer o diálogo com a ilhacomunista. "Houve uma mudança que nos aponta para a evidência de umacerta transição, de uma certa mudança nas relações de poder nointerior de Cuba", disse Insulza em Buenos Aires, quandoquestionado sobre a eventual aproximação do governo interino deRaúl Castro com o resto do continente. Depois de dirigir o país por 47 anos, o líderrevolucionário cubano Fidel Castro transferiu o podertemporariamente a seu irmão Raúl no final de julho de 2006,enquanto se recupera de uma doença intestinal. Fidel, que completa 81 anos em agosto, não é visto empúblico desde então, mas os altos escalões cubanos garantem queele se recupera favoravelmente, embora sem esclarecer se elevoltará ao poder. No começo deste mês, Raúl pôs em marcha um processoeleitoral que culminará em 2008, quando o Parlamento decidiráse seu irmão será reeleito presidente do Conselho de Estado,como ocorreu nos últimos 30 anos. "Não me atrevo a prognosticar nem em que profundidade nemem que direção podem vir essas mudanças, mas acho que haveráuma possibilidade de diálogo e de conversação sobre Cuba, queestá já muito atrasada na nossa organização", acrescentou ochileno Insulza. A comunidade internacional considera Raúl como um dirigentemais pragmático que o irmão. Durante quase um ano no poder, o presidente interino abriuum diálogo com a Espanha e estendeu uma mão ao arquiinimigoEstados Unidos, afirmando-se disposto a resolver comnegociações uma disputa ideológica que dura quase meio século. Insulza afirmou que, embora Cuba esteja há mais de 40 anosfora da OEA, trata-se de um país "com o qual seria precisoconversar", mas salientou que não estava propondo a voltaimediata da ilha à organização. A OEA suspendeu Cuba em 1962, sob a política de isolamentopromovida pelos Estados Unidos que na época levou todos ospaíses da América Latina, exceto o México, a romper relaçõescom Havana. Desde o fim da Guerra Fria, a maioria dos paíseslatino-americanos restabeleceu relações com Cuba, com exceçãode El Salvador. Com a chegada ao poder de líderes esquerdistas naVenezuela, na Bolívia, no Equador e na Nicarágua, as relaçõesde Cuba com a América Latina estão em seu melhor momento desdeque Fidel Castro tomou o poder, em 1959. Insulza declarou que não pretende "reabrir feridas" e quenão haverá uma discussão sobre a readmissão de Cuba na OEA, amenos que exista consenso nesse sentido. "Se algum país membro da organização acha que não é omomento de mudar de política com respeito a Cuba, lamentomuito, mas não vou forçar essa mão", afirmou.

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