Raúl Castro critica 'excesso de proibições' em Cuba

O presidente interino de Cuba, RaúlCastro, disse na sexta-feira estar disposto a rever o "excessode proibições" na ilha. Raúl, que governa o país há 17 meses, desde o afastamentode seu irmão Fidel por razões de saúde, disse em discurso naAssembléia Nacional que está trabalhando para solucionar osproblemas econômicos cubanos sem abandonar o socialismo. "Concordamos com os que alertaram sobre o excesso deproibições e de medidas legais, que fazem mais dano quebenefício", disse ele. "A maioria (das medidas) poderíamos dizer que foramcorretas e justas em seu momento, mas não poucas delas foramsuperadas pela vida, e detrás de cada proibição incorretabusque-se um bom número de ilegalidades", acrescentou, semdeixar claro exatamente a que se referia. Em conversas informais, os cubanos costumam se queixar dosobstáculos para as viagens ao exterior, das restrições à comprae venda de imóveis e veículos e da proibição de se hospedaremem hotéis para estrangeiros. Raúl, um general de 76 anos, disse também que seu governose dispõe a analisar "assuntos complexos", como a existência deduas moedas oficiais e a disparidade entre salários e preços. "São enormes os desafios que temos pela frente, mas ninguémduvide da firme convicção demonstrada por nosso povo de que sóo socialismo é capaz de vencer as dificuldades e preservar asconquistas de quase meio século de Revolução", afirmou. Raúl falou também de medidas para aumentar a produçãoagrícola e disse que os produtores eficientes receberão a"retribuição material que merecem". O presidente interino, um general com imagem de pragmático,é visto por alguns fora de Cuba como um potencial reformista. Em quase um ano e meio de governo, ele aumentou ospagamentos a produtores agrícolas, ofereceu mais terras acooperativas de produtores privados e eliminou certas travas àimportação de bens de consumo. "Todos queríamos marchar mais rápido, mas nem sempre épossível", afirmou na sexta-feira. Raúl disse que um debate nacional neste ano, com aparticipação de mais de 5 milhões de pessoas, permitiudiagnosticar os principais problemas do país. "A imensa maioria dos cubanos demonstrou de maneiracontundente sua decisão de preservar e defender a Revolução",declarou Raúl. A existência de duas moedas --o peso cubano, usado pelogoverno no pagamento de salários e em preços controlados, e opeso conversível, que vale 24 vezes mais e compra produtosimportados-- também será estudada em profundidade e commoderação, acrescentou. Em mensagem lida previamente ao Parlamento, Fidel Castrodeu respaldo ao discurso de seu irmão. "Levantarei minha mãojunto aos senhores para apoiá-lo", escreveu o líder cubano. (Por Esteban Israel)

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