Raúl Castro diz que Cuba está pronta para conversar com EUA

O presidente de Cuba, Raúl Castro, acusou os Estados Unidos nesta quinta-feira de buscar a derrubada do governo cubano de forma similar ao que ocorreu com os países da Primavera Árabe, ao mesmo tempo em que reiterou a disposição de seu governo em negociar com o inimigo de décadas.

MARC FRANK, Reuters

26 de julho de 2012 | 17h05

"O dia em que eles quiserem (conversar), a mesa está posta", disse Raúl em um discurso transmitido em rede nacional de televisão em um dos principais dias do calendário político de Cuba.

"Eu já os informei por meio dos canais diplomáticos. Se quiserem conversar, conversaremos...mas como iguais...Conversaremos sobre os mesmos temas (democracia e direitos humanos) nos Estados Unidos", afirmou ele.

A ilha governada pelos comunistas comemorou o aniversário do ataque de 1953 liderado por Fidel Castro aos quartéis do Exército de Moncada na cidade de Santiago de Cuba, que deu início à Revolução Cubana.

Vestido em uniforme militar, Raúl falou na província de Guantánamo, no leste do país, depois de concluída uma celebração oficial para marcar a data.

Raúl, que assumiu o poder das mãos de seu irmão Fidel em 2008 após servir como ministro da Defesa por décadas, acusou os opositores do governo na ilha, apoiados pelos Estados Unidos e por outros países ocidentais, de "criar as condições e aspirar um dia que aconteça aqui o que ocorreu na Líbia e o que querem que aconteça na Síria".

O ditador da Líbia Muammar Gaddafi caiu após um conflito violento. As forças leais ao presidente da Síria, Bashar al-Assad, tentam reprimir uma rebelião que busca derrubá-lo.

Os comentários de Raúl seguiram-se à morte, no domingo, de Oswaldo Payá, um dos dissidentes e ativistas de direitos humanos mais proeminentes do país, morto em um aparente acidente de carro.

Payá liderou uma petição em 2002 para reformar o sistema político de partido único do país. No entanto, ele também era altamente crítico à política norte-americana com relação a Cuba, incluindo ao embargo econômico contra a ilha.

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