Desmond Boylan/Reuters
Desmond Boylan/Reuters

Raúl Castro diz que 'negligência' de estatais freia economia

Presidente critica desperdício da máquina do Estado, composto de 3,7 mil empresas

Reuters

04 de novembro de 2011 | 14h07

HAVANA - O presidente cubano, Raúl Castro, atacou as empresas estatais e disse que a "negligência" delas mina o desenvolvimento econômico e social da ilha, informou a mídia local na sexta-feira, 4, no momento em que o governo pretende implementar reformas para salvar o socialismo.

 

Veja também:

linkCuba autoriza compra e venda de imóveis

tabela HOTSITE: As reformas em Cuba

 

Em uma reunião do conselho de ministros, Raúl também criticou a indisciplina e o desperdício na máquina de Estado composta por aproximadamente 3,7 mil empresas que administram grande parte da economia de Cuba, baseada na agricultura e turismo.

 

"Na ausência de disciplina, ordem, controle e consistência muitas vezes se amparam no desperdício e negligência que ameaçam hoje nosso desenvolvimento econômico e social", disse Raúl no conselho de ministros realizado no último sábado, que foi relatado pelo Granma.

O líder cubano declarou que a "situação atual de dívidas vencidas coloca o sistema empresarial em uma situação muito tensa". "Muitos dos problemas atuais da nossa economia são causados pela falta de respeito que prevalece hoje na relação contratual estabelecida entre as nossas empresas e organizações", disse ele.

Desde que substituiu em 2008 seu irmão Fidel como presidente da ilha, Raúl Castro lançou uma cruzada contra a corrupção e para tornar o sistema econômico socialista mais eficiente.

Durante sua gestão, ele tomou medidas para impulsionar a agricultura e, mais recentemente, revelou um plano de mais de 300 reformas, que incluem dar maior autonomia às empresas estatais para tentar reverter anos de mau funcionamento e falta de rentabilidade.

Cuba prevê crescimento econômico de 2,9% em 2011 e as reformas programadas, entre elas a redução de mais de um milhão de empregos estatais e expansão do setor privado, buscam modernizar o sistema instalado depois da revolução de 1959.

Raúl disse ao seu gabinete que a situação se agrava devido à impossibilidade de adotar medidas drásticas como a suspensão das entregas de matérias-primas a empresas encarregadas de produzir artigos de primeira necessidade.

O presidente já havia apresentado suas críticas no meio do ano no Parlamento, quando acusou funcionários do governo de preguiça, corrupção, negligência e rigidez ideológica, ao mesmo tempo em que insistiu que adotassem novas maneiras de pensar.

"O maior obstáculo que enfrentamos... é a barreira psicológica formada pela inércia, a imobilidade, moral dupla ou simulada, indiferença e insensibilidade", afirmou na ocasião.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.