Ramon Espinosa/AP
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Raúl Castro diz que regime não muda e confirma ida à Cúpula das Américas

Na reunião marcada para abril, no Panamá, o presidente cubano deverá se encontrar com norte-americano Barack Obama

Rodrigo Cavalheiro, Enviado Especial , O Estado de S. Paulo

20 de dezembro de 2014 | 14h53

HAVANA - O presidente de Cuba, Raúl Castro, disse nesta sexta-feira que os acordos anunciados com os Estados Unidos na quarta-feira são “um importante passo”, mas que ainda há um longo caminho até que as relações entre Washington e Havana estejam normalizadas. “O essencial ainda permanece (sem solução): o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba.”

A retomada plena de laços exigirá uma luta “longa e difícil”, afirmou o líder, após enfatizar que os acordos com a Casa Branca não significarão uma mudança no regime político da ilha. 

Raúl prometeu, ainda, manter o apoio dado ao governo de Nicolás Maduro, na Venezuela. O governo cubano, de acordo com seu presidente, continuará “dando apoio frente às tentativas de desestabilização do governo legítimo conduzido pelo companheiro presidente Nicolás Maduro Moros. Rechaçamos as pretensões de impor sanções a essa nação irmã”.

Na quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, assinou uma lei aprovada pelo Congresso impondo restrições de viagens e congelamento de bens de autoridades venezuelanas envolvidas na repressão aos protestos ocorridos no país nos primeiros meses do ano.

Bloqueio. A cobrança do fim do embargo feita por Raúl enfrenta, pelo lado americano, um obstáculo forte: a queda das sanções deve ser aprovada pelo Congresso em Washington. 

Parlamentares republicanos, que controlarão as duas Casas legislativas do país a partir de janeiro, já prometeram impedir o fim do embargo.

Cúpula. Discursando durante sessão da Assembleia Nacional, na capital, o líder cubano também confirmou que participará da Cúpula das Américas de 2015, em abril, no Panamá. Será a primeira vez desde a criação do encontro, há 20 anos, em que Cuba estará presente.

Durante a reunião, é esperado um encontro entre Raúl e Obama. Os dois já apertaram as mãos no ano passado, durante o velório de Nelson Mandela, na África do Sul.

Espiões. Na sessão de sexta-feira do Parlamento cubano, além do discurso de Raúl, ocorreu uma recepção oficial dos parlamentares aos três espiões libertados na semana passada pelos Estados Unidos como parte dos acordos para retomar o diálogo. Recebidos como heróis, os três foram muito aplaudidos pelos deputados. / COM AP

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