Raúl Castro é o novo presidente de Cuba

Irmão do ex-ditador Fidel é confirmado em assembléia; vice-presidente é surpresa

Reuters

24 de fevereiro de 2008 | 16h05

Primeiro nome em uma lista de 31 candidatos ao conselho de estado cubano, Raúl Castro é o novo presidente de Cuba. A Assembléia Nacional confirmou o nome do general de 76 anos como sucessor do ex-ditador Fidel, que renunciou ao poder na semana passada.   Veja também: Raúl diz que reduzirá Estado e manterá consultas a Fidel Leia a cobertura completa sobre a sucessão de Fidel Após 49 anos no poder, Fidel Castro renuncia à Presidência Raúl Castro torna-se guardião da revolução Artigo publicado no Granma (em português)  Cuba não precisa de 'ingerência' de Brasil ou EUA, diz Lula Fidel volta a citar Niemeyer na renúncia   A surpresa foi a indicação do comunista ortodoxo José Ramón Machado Ventura, de 77 anos, para a vice-presidência. Machado Ventura lutou ao lado de Fidel quando a revolução na ilha derrubou o governo de Fulgêncio Batista. Ele também foi ministro da saúde cubano. Analistas esperam que Raúl faça reformas limitadas para melhorar a economia estatal da ilha, o único país comunista do ocidente.   A eleição aconteceu em uma sessão histórica que ocorreu nesse domingo, no centro de convenções do Hotel Palco, em Havana, quando os 614 deputados da Assembléia Nacional cubana, eleitos em janeiro, marcaram oficialmente a saída de Fidel Castro da presidência de Cuba - cargo que ocupa desde o triunfo de sua revolução, em 1959. A decisão de retirar-se da chefia do Estado foi anunciada pelo próprio Fidel, em carta divulgada pelo jornal oficial Granma, na terça-feira.   Além de Raúl, que já exerce a função de presidente desde o fim de julho de 2006 - quando o líder anunciou seu afastamento do poder para tratar uma grave doença no intestino -, outros dois nomes disputavam o cargo: o vice-presidente, Carlos Lage, de 56 anos, e o ministro das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque, de 42. Os dois últimos são integrantes de uma geração de dirigentes do Partido Comunista que nasceu ou foi educada após a revolução.   Braço-direito de seu irmão desde a revolução em 1959, Raúl governa a ilha depois que Fidel deixou o poder, há 19 meses, devido a problemas de saúde. Sua renúncia é o fim de um mandato de quase meio século. Menos carismático e mais pragmático que o irmão, Raúl prometeu melhorar a qualidade de vida dos 11 milhões de cubanos, mas sem abandonar o comunismo, que implementou no país. Fidel, considerado uma lenda-viva da esquerda mundial, continuará como líder do Partido Comunista, o único da ilha.   Em Washington, a secretária de estado dos EUA, Condoleezza Rice, voltou a pedir domingo a "abertura democrática" do país. "Pedimos ao governo cubano que comece um processo de mudança pacífico e democrático, com a libertação de prisioneiros políticos, respeitando os direitos humanos e abrindo o caminho para eleições livres e justas."   A recente decisão de Raúl em promover um debate para diagnosticar os problemas de Cuba parece ter despertado esperanças de mudanças econômicas graduais. Sua lista de tarefas pendentes inclui reanimar a economia para reduzir a distância entre salários e preços, e ressuscitar a agricultura para colocar comida na mesa dos cidadãos   Economia   Aberto pelo regime em princípios dos anos 90 para preencher o déficit causado pelo colapso da União Soviética - que, a preços camaradas, supria a ilha de petróleo e de produtos industrializados -, o setor de turismo é a principal fonte de divisas de Cuba. Em segundo lugar, vêm as remessas de dólares que os cubanos residentes nos EUA enviam para os parentes que permaneceram na ilha.   O embargo comercial que Washington impõe a Cuba serve, desde os anos 60, como pretexto para que o regime acoberte a ineficiência econômica do modelo. Submetida a anos de atraso tecnológico, a produção de açúcar - principal produto de exportação cubano - está em queda livre nas fazendas coletivas. A infra-estrutura do país está sucateada. Portos e estradas estão em más condições. Sem acesso ao cabo submarino que interliga os EUA aos demais países da América Latina, todo o sistema de telecomunicações depende de satélites - tornando-o caro e ruim. A assinatura de um serviço de conexão de banda larga à internet chega a custar o equivalente a US$ 900 mensais. var keywords = "";

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