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Raúl Castro encontra parlamentares dos EUA em Havana

Em nota, presidente cubano se dispõe a "dialogar sobre qualquer assunto" com os Estados Unidos

Reuters e Efe,

07 de abril de 2009 | 11h18

Uma delegação parlamentar norte-americana reuniu-se na segunda-feira em Havana com o presidente cubano, Raúl Castro, no primeiro contato com autoridades dos EUA desde que foi efetivado no cargo, em fevereiro de 2008. O encontro pode ser um sinal de degelo nas relações bilaterais. Em nota oficial do governo cubano, Raúl expressou sua "disposição em dialogar sobre qualquer assunto" durante um encontro.

 

Raúl recebeu seis deputados democratas que chegaram a Cuba na semana passada para buscar formas de melhorar as relações bilaterais, após quase cinco décadas de rompimento. A nota indica que o líder reiterou a posição "invariável" mantida por Cuba "durante 50 anos" a respeito da "disposição em dialogar sobre qualquer assunto, tendo como únicas premissas a igualdade soberana dos Estados e o absoluto respeito à independência nacional e ao direito inalienável de cada povo à determinação".

 

O comunicado afirma que, na reunião de Raúl Castro com os congressistas, houve uma "ampla troca de critérios" e foi abordada "a possível futura evolução das relações bilaterais e os vínculos econômicos, depois da chegada ao poder de uma nova administração americana", presidida por Barack Obama.

 

A TV estatal mostrou Raúl, vestindo terno, sentando-se com a delegação para uma conversa. A deputada Barbara Lee, chefe da delegação, disse que o grupo não levou uma mensagem do presidente Barack Obama, e que sua única missão era "ouvir e conversar" com os cubanos.

 

Em artigo publicado no domingo, o antecessor e irmão de Raúl, Fidel Castro, disse que Cuba não teme o diálogo nos EUA. Em outro texto, na segunda-feira, descreveu o grupo visitante como "uma importante delegação política". Não se sabe se Fidel recebeu os parlamentares, mas o ex-presidente escreveu que um dos seus membros disse ser "necessário usar este momento em que há um presidente negro na Casa Branca e uma opinião favorável à normalização das relações". Todos os seis deputados que viajaram a Cuba são negros, assim como grande parte da população cubana.

 

Durante sua campanha eleitoral, Obama prometeu atenuar o embargo econômico contra Cuba, em vigor há 47 anos, e mostrou-se disposto a dialogar com os líderes cubanos. Ele diz, no entanto, que o embargo só será completamente suspenso quando a ilha se democratizar. Há grande expectativa de que em breve o governo Obama irá suspender restrições contra viagens de imigrantes cubanos à ilha e remessas de dinheiro para familiares. É possível que isso ocorra ainda antes de Obama participar, no dia 17 de abril, da Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago. Tramitam no Congresso projetos que suspendem a proibição geral de viagens de norte-americanos a Cuba.

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