Raúl Castro incentiva cubanos a pensar no futuro econômico

Ainda não está claro o quão longe o irmão de Fidel Castro pretende levar as reformas na economia adiante

Reuters,

20 de setembro de 2007 | 17h08

Um discurso de julho feito pelo presidente interino de Cuba, Raúl Castro, afirmando que os salários estão baixos demais e que a agricultura precisa de reformas, repercutiu entre os habitantes da ilha.   Na chefia do governo desde que o irmão Fidel se licenciou do cargo, há mais de um ano, Raúl lançou nas últimas semanas um debate sobre a reforma econômica do país e pediu para a população que proponha soluções para os problemas de Cuba em discussões públicas. Mais do que nunca, os cubanos tem liberdade agora para argumentar sobre a situação decadente do Estado cubano.   "As pessoas estão se manifestando como nunca fizeram sobre os problemas de suas vidas", disse um integrante do Partido Comunista depois de participar de um debate. "Raúl está aumentando a expectativa de todo mundo, então é bom que tenha soluções."   As queixas comuns vão dos salários baixos - de em média 15 dólares por mês - à má qualidade dos serviços, passando por restrições contra matar seu próprio gado, comprar carros e fazer reservas em hotéis destinados a turistas.   "Quando o debate começou, ninguém queria falar. Mas nos disseram para falar francamente dos problemas levantados por Raúl, e tudo que nos afeta", disse Lariza, que vende cafezinho para os colegas para complementar o salário.   Desde que assumiu "temporariamente" o governo de Cuba, em julho de 2006, depois do afastamento por motivos de saúde do irmão Fidel Castro, 81, Raúl vem pedindo mais debates e críticas construtivas.   Também pediu estudos de especialistas sobre propostas de reformas para aumentar a produtividade e sobre o controle estatal da economia. Mas ainda não está claro o quão longe ele pretende levar as reformas.   "É reformar ou morrer! O mundo e em particular a América Latina e o Caribe mudaram de forma tão drástica que é inevitável repensar o socialismo cubano", disse Domingo Amuchastegui, ex-agente da inteligência cubana que desertou no início dos anos 1990 e hoje é professor universitário na Flórida.   O historiador canadense John Kirk, especializado em Cuba, disse que a ilha está em melhores condições para pensar em reformas econômicas porque sua situação financeira recuperou-se com a proximidade com a Venezuela, com a ajuda comercial generosa da China e com a alta da exportação de níquel.   "O governo cubano está no processo de buscar abordagens inovadoras para um dilema incomum", disse Kirk. "A situação econômica continua melhorando, mas a desigualdade e outros problemas persistem.

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